Morte de Tarcísio Meira não significa que vacinação contra Covid-19 não funcione
Reprodução: ACidade ON
Morte de Tarcísio Meira não significa que vacinação contra Covid-19 não funcione

O ator  Tarcísio Meira morreu, na manhã desta quinta-feira (12), vítima da Covid-19, aos 85 anos, em São Paulo. Ele estava internado no hospital Albert Einstein para tratar a doença. Tarcísio Meira já havia sido imunizado com as duas doses da vacina contra a Covid-19 em março deste ano. 

Com a morte do ator mesmo após ter sido vacinado, é importante salientar que a imunização contra a Covid-19 é extretamente importante e deve ser vista como prioridade por todos. O episódio com o ator não significa que a imunização e as vacinas não funcionem.

Nenhuma vacina oferece proteção de 100% contra a doença, mas todas reduzem significativamente o risco de infecção, hospitalização e morte, principalmente depois da imunização completa.

"Nenhuma vacina é 100% eficaz. Você tem falhas vacinais com todas as vacinas. Tem gripe em vacinado, catapora em vacinado, sarampo em vacinado. O que a vacina faz é atenuar a doença, você pode ter ela de uma forma mais leve, mas, em raras excessões, a gente tem formas graves mesmo em vacinados, porque a resposta depende de cada indivíduo", explica o infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em entrevista ao iG Saúde.

O infectologista e diretor do Hospital Santa Ana, no ABC Paulista, Paulo Rezende, concorda. "O objetivo dos imunizantes, em qualquer situação de doença, é a proteção contra óbitos e casos graves, o que no caso dos atuais imunizantes conhecidos apresentam proteção acima de 80%, deixando claro que nenhum imunizante produz proteção de 100%".

O caso de  Tarcisio Meira acende um alerta sobre o perigo do coronavírus circular em alta escala na sociedade. Quanto mais o vírus circula, maior a probabilidade de infecção por parte da pessoas e, portanto, maior a taxa de mutações e proliferação do vírus em idosos ou pessoas com comorbidades.

O ator já tinha 85 anos e uma saúde debilitada por conta da idade, o que pode explicar em parte o quadro mais grave desenvolvido pela doença, mesmo após a vacinação completa. 

Leia tambem: "A morte está aí, qualquer hora chega", disse Tarcísio Meira antes de pandemia

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Internação de Tarcísio e sua esposa 

Tarcísio e sua esposa, a  atriz Glória Menezes, de 86 anos, deram entrada no hospital Albert Einstein na última sexta-feira (6). O ator chegou a ser intubado na UTI e fazer hemodiálise contínua por conta das complicações em seu quadro clínico.

Segundo o boletim médico divulgado nesta quarta-feira (11), a atriz Glória Menezes está se recuperando bem e recebe auxílio de oxigênio via nasal.

Como funcionam as vacinas

As vacinas têm o objetivo principal de fazer com que nosso sistema imunológico seja exposto, com segurança, a um vírus ou a uma bactéria para que o corpo consiga produzir os anticorpos.

A partir do primeiro contato da vacina com o nosso sistema imune, que não vai prejudicar a saúde de quem toma, nossas células de defesa geram uma resposta, capaz de deixar o organismo preparado caso o agente infeccioso de verdade resolva aparecer.

A resposta imune pode variar consideravelmente de acordo com o tipo de vírus, a capacidade de mutações do mesmo, a forma como é desenvolvida a vacina e até as condições de saúde da pessoa.

"Os mais vulneráveis, não tenha dúvida, são os mais idosos, aqueles que são portadores de alguma doença que interfere na sua imunidade, transplantados, com câncer, esses tem um risco muito maior", afirma Renato Kfouri.

"Os fatores associados à variação na resposta está na plataforma de produção destas vacinas (virus vivo atenuado, vetor viral, compostas por DNA ou RNA), dentre outras de tecnologia mais modernas, existem ainda a resposta individual com ênfase para os idosos que apresentam fenômeno da imunossenescência que trata das alterações imunologicas e de resposta menos eficiente", diz Paulo Rezende. 

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