Rio tem aumento de 25% em casos de síndrome respiratória aguda grave
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Rio tem aumento de 25% em casos de síndrome respiratória aguda grave

O número de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no Rio subiu 25% entre as semanas epidemiológicas 43 (24 a 30 de outubro) e 46 (14 a 20 de novembro). É o que apontam dados do projeto InfoGripe, da Fiocruz. Nesse período, a média móvel de ocorrências semanais saltou de 336 para 421 no estado. Uma variação consideravelmente maior que a do país, que foi de 8%. A faixa etária de 0 a 9 anos teve um dos maiores crescimentos: 46% entre as semanas epidemiológicas 42 (17 a 23 de outubro) e 46. No primeiro período de referência, a Fiocruz detectou 129 casos, em média; no segundo, 189.

O cálculo se baseia em estimativas de nowcasting, método que considera o comportamento dos números em análises epidemiológicas para diminuir o efeito do atraso na atualização de dados, retirados do Sistema de Informações da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). A diferença percentual foi projetada a partir da média móvel de cada semana.

O grupo de 20 a 29 anos foi outro que teve um aumento expressivo. Na semana 42, a média móvel da faixa etária ficou em sete casos semanais. Na semana 46, o número saltou para 19. A variação percentual foi de 190%.

Os especialistas da Fiocruz dizem que os números do Rio podem estar associados ao surto de Influenza que se alastra pela capital e outras cidades da Região Metropolitana, embora a hipótese ainda precise ser averiguada por dados provenientes de exames de laboratório. Caso ela se confirme, o levantamento da Fiocruz jogará luz sobre o possível efeito da circulação da Influenza em relação aos casos graves, alavancados no estado por números da capital.

"É uma hipótese bastante provável, mas é necessário aguardar as próximas semanas para que sejam inseridos os resultados laboratoriais nos registros do Sivep", diz o pesquisador Marcelo Gomes, do grupo de Métodos Analíticos em Vigilância Epidemiológica da Fiocruz (Mave/Fiocruz). "Entre os registros que já têm resultado laboratorial (referentes ao começo de novembro para trás), nas crianças continuamos vendo majoritariamente casos de vírus sincicial respiratório (VSR), e nas demais faixas etárias SARS-CoV-2 (Covid-19)".

Um dos idealizadores do InfoGripe, o epidemiologista Leonardo Bastos afirma que os números do estado são compatíveis com os de um surto por doença respiratória.

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"Meu palpite é que isso se deve à baixa cobertura vacinal contra a Influenza, sobretudo no público de 20 a 29 anos. Afinal, esse aumento não se manifesta no grupo de 10 a 19 anos, o que é intrigante", afirma o especialista.

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Tendas instaladas ao lados das UPAs

A grande maioria dos episódios da doença, no entanto, se manifesta como síndrome gripal. São quadros mais leves, mas capazes de causar uma grande sobrecarga nas emergências. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES), o surto de Influenza aumentou a demanda de atendimentos nas UPAs estaduais em 429% em uma semana, como o GLOBO revelou.

Com unidades lotadas, a pasta anunciou nesta quinta-feira que abrirá tendas para a assistência a gripados ao lado das UPAs Marechal Hermes, Tijuca, Penha e Botafogo. As estruturas, mundialmente conhecidas como hospitais de campanha, já foram usadas no Rio em outras epidemias, como as de dengue e zika.

Surto pode ter resultado de um relaxamento

O novo surto de Influenza deixou autoridades e pesquisadores inquietos, já que o vírus costuma circular com mais intensidade em períodos mais frios, como o inverno. Mas não é só a Influenza que resolveu roubar a cena num período atípico. O vírus sincicial respiratório (VSR), que costuma afetar especialmente as crianças, já teve um aumento de movimentação registrado por exames laboratoriais, segundo os especialistas da Fiocruz.

Para Marcelo Gomes, o ressurgimento desses patógenos às vésperas do verão pode resultar também de um relaxamento dos protocolos de combate ao contágio por doenças respiratórias.

"Aumentamos muito nosso nível de interação e, consequentemente, facilitamos a transmissão de vírus respiratórios em geral. Já vínhamos observando isso nas crianças desde o começo do ano, com novo aumento de outros vírus respiratórios a partir de agosto. A novidade é o reaparecimento de Influenza, que até agora ainda não tinha aparecido nem nos casos de SRAG, nem nos casos de síndrome gripal", diz o especialista. "É uma consequência natural, embora indesejada. Por isso a importância de mantermos ainda certos cuidados, bem como não deixar de tomar a vacina da gripe, que é justamente para combater os efeitos do vírus Influenza".

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