Vacinação no Brasil se aproxima do limite e precisa chegar às crianças
Matt Mills McKnight / Reuters
Vacinação no Brasil se aproxima do limite e precisa chegar às crianças

Um novo estudo da Fiocruz aponta que a  vacinação das crianças contra Covid-19 é uma estratégia importante para aumentar a cobertura vacinal no Brasil. Segundo a análise, a imunização no país estaria com uma tendência já próxima à estagnação.

A demanda faz parte da pesquisa “Como superar a estagnação da curva de cobertura da vacina de primeira dose contra Covid-19 no Brasil?” que foi submetida à Revista Brasileira de Epidemiologia, em formato preprint.  

Atualmente, cerca de 85% dos brasileiros podem se vacinar, se consideradas todas as pessoas acima de 11 anos. No entanto, os pesquisadores observaram que, desde setembro, o ritmo de vacinação da primeira dose vem desacelerando no país. E nos dois meses seguintes ao dia 9 de outubro esse ritmo caiu ainda mais a cada Semana Epidemiológica (SE), chegando perto do zero — cerca de 0,08% por dia. Para os pesquisadores, isso poderia sugerir que a vacinação já está próxima do seu limite, com 74,95% da população imunizada com a primeira dose. 

Segundo o estudo, uma das formas de superar essa curva de estagnação é ampliar as faixas etárias elegíveis à vacinação, com a imunização das crianças, e criar novas estratégias para aumentar a aplicação da primeira dose em pessoas que vivem em locais remotos.  

Para os pesquisadores, a estagnação tem maior relação com dificuldade de acesso do que com recusa em receber a vacina.

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De acordo com o estudo, o Brasil tem quatro fases distintas na evolução na aplicação da primeira dose. Houve uma fase inicial, quando a progressão foi lenta principalmente em razão da falta de imunizantes. Em seguida ocorreu um período de cerca de dez semanas em que a vacinação começou a atingir as pessoas com menos de 70 anos, seguido por outro em que se observa uma velocidade no aumento da cobertura, relacionada à vacinação dos com menos de 60 anos. E depois veio a quarta fase, em que fica evidente a desaceleração.  

“A grande maioria dos estados segue esta tendência, variando apenas a velocidade de aumento da cobertura, que foi sistematicamente maior nos estados das regiões Sul e Sudeste”, afirma o pesquisador do Observatório Covid-19 da Fiocruz e um dos autores, Raphael Guimarães.  

O pesquisador destaca que “nas unidades da Federação em que a cobertura de primeira dose é mais alta, a diferença para a cobertura de segunda dose é menor, sugerindo que a perda de população entre doses tem sido pequena”.

Os pesquisadores ressaltam que os estados do Norte têm população mais jovem, o que pode parcialmente explicar a cobertura mais baixa nessa região. O estudo mostra que há uma grande desigualdade nacional, com Norte e Nordeste apresentando as piores coberturas, tanto de primeira quanto de segunda doses, o que deixa claro que os valores nacionais são inflacionados pelos números estatisticamente superiores dos estados do Centro-Sul. Para exemplificar: São Paulo e Amapá têm, respectivamente a maior e a menor cobertura vacinal no país.  

“É importante ressaltar que, além de aspectos populacionais, questões relacionadas à logística de distribuição podem influenciar nos dados utilizados na análise”, afirma Guimarães. 

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