Arthur Aguiar em conversa sobre o jogo no 'BBB 22'
Reprodução/Globo
Arthur Aguiar em conversa sobre o jogo no 'BBB 22'


Lasanha, empadão, carne, purê de batata baroa, todos os hambúrgueres e pastel: a exclusividade não é de Arthur Aguiar. Quem é que não se renderia a essas delícias em uma festa?

Casado com a influenciadora fitness Mayra Cardi - que não deixou a fase de comer pãozinho passar em branco - o participante do grupo camarote do Big Brother Brasil 2022 já virou meme pelos novos hábitos alimentares nas redes sociais.

Quem também despertou comentários foi a gaúcha Bárbara, que não come arroz, feijão, carne, e já afirmou sentir culpa após comer demais em um dos eventos na casa. Os comportamentos opostos ligaram uma luz de alerta no público: quando é preciso se preocupar com a nossa alimentação?

Segundo a Dra Lara Natacci, da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), manter uma dieta com muitas restrições pode resultar no consumo maior de certos alimentos.

"Não podemos fazer nenhum diagnóstico. mas o que a gente observa é que muitas vezes as pessoas restringem demais a alimentação, e em muitos casos essa restrição pode gerar um futuro descontrole - ou porque proíbem algum tipo de consumo de algum alimento, e o proibido fica mais gostoso, fica mais tentador, ou porque a pessoa pode passar fome ou passar vontade, alguma coisa assim", explica.

"Se ela ela se vê livre dessa proibição, acaba exagerando no consumo. Isso não é o que a gente espera de um comportamento alimentar que seja equilibrado. Dentro do equilíbrio a gente espera que as pessoas comam alguma coisa a mais, mas que depois retornem a sua rtina normal".

A especialista afirma que a dieta restritiva se baseia em um conjunto de alimentos que fornece menos do que a pessoa necessita.

"É muito individual, mas se a gente restringe a alimentação um dia, porque passou por algum alguma situação especial, OK. Mas eu faço isso rotineiramente, eu vou ter uma uma deficiência de nutrientes. Essa dieta restritiva vai ter alguma consequência ruim no nosso corpo", completa.

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A nutricionista Fernanda Imamura, colaboradora do Programa de Atendimento, Ensino e Pesquisa em Transtornos Alimentares na Infância e Adolescência e do IPq-USP, alerta que uma restrição alimentar pode também gerar uma compulsão, causando efeito contrário ao desejado.

"Você fica nesse ciclo, tentando se controlar ao máximo, e o pensamento sobre comida só vai aumentando. E quando comer, pode acabar acontecendo uma situação de descontrole", pontua.

Dentro da casa, a participante Laís tentou chamar a atenção de Bárbara sobre a alimentação. A gaúcha ficou visivelmente chateada com o assunto, e não quis discutir a situação. Segundo Fernanda, lidar com a situação exige carinho e jogo de cintura.

"Dependendo da forma como a gente fala, pode não ajudar muito quem está naquela situação. O principal é oferecer apoio, acolhimento, e dependendo do grau de intimidade, até incentivar a pessoa a procurar um profissional - e mesmo que ela não aceite logo de cara, não deixar de apoiar. Sem cobrança ou julgamento, sem 'você está muito magra', ou 'você está fazendo errado'".

Como então, ter uma relação saudável com os alimentos, sem tornar o pãozinho o vilão da edição?

"O principal é não fazer uma dieta restritiva. Quando a gente pensa na relação com a comida, a dieta atrapalha, principalmente nas percepções do corpo, como a fome, a saciedade. Nesse 'não fazer dieta' não é também comer tudo que for possível. Sair desses extremos, usar estratégias como manter uma alimentação balanceada, saudável, com todos os grupos de alimentos", ensina ela.

"É fundamental entender melhor os sinais do corpo, como você percebe a fome, e entender por que você está comendo determinado alimento. Quanto mais restringir um alimento, mais vai ter vontade de comer, porque o nosso cérebro funciona desta forma".

** Filha da periferia que nasceu para contar histórias. Denise Bonfim é jornalista e apaixonada por futebol. No iG, escreve sobre saúde, política e cotidiano.

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