Especialistas alertam para risco de botox na região dos testículos
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Especialistas alertam para risco de botox na região dos testículos

Em 2013, uma declaração feita pelo ator americano George Clooney à revista italiana Max chamou atenção para procedimentos estéticos em uma região do corpo até então inusitada. “Eu nunca consertei meus olhos, mas gastei mais dinheiro para esticar a pele dos meus testículos”, contou Clooney. A técnica utilizada pelo ator de Hollywood na época envolvia o uso de um laser para retirar os pelos, alisar e corrigir a cor do saco escrotal. Agora, uma nova modalidade para alterar a aparência dos testículos tem ganhado espaço nas clínicas de estética: o scrotox.

De forma resumida, o scrotox, também conhecido como harmonização escrotal, é a aplicação do já famoso botox na região dos testículos . A lógica é a mesma do método em outras partes do corpo, como na face. O médico introduz a toxina botulínica para alisar a região e prevenir a formação de marcas.

"A toxina atua na fenda sináptica, que é onde o nervo chega até o músculo e passa a informação de que ele deve contrair. Ela age nessa fenda impedindo a liberação de um neurotransmissor chamado acetilcolina e, sem ele, o músculo não contrai, portanto ele relaxa e não produz rugas na pele", explica o doutor em dermatologia Abdo Salomão Jr, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Seu uso mais comum é em locais com rugas pela movimentação de músculos, como na face, para dar um aspecto mais jovial. Porém, a aplicação da técnica no saco escrotal tem crescido entre homens insatisfeitos com a aparência do órgão. Dessa forma, a toxina paralisa a área, deixando a bolsa escrotal — uma região naturalmente enrugada — lisa e com mais volume.

Os efeitos colaterais relatados costumam envolver dor leve na região, dormência moderada, inchaço na área, hematomas ao redor do local da injeção e uma leve sensação de aperto no escroto. Ainda assim, especialistas ressaltam que, por se tratar de uma região sensível e haver poucos estudos sobre a aplicação, há riscos mais sérios envolvidos na prática.

"A aplicação de substâncias químicas no corpo, principalmente paralisantes, sempre pode vir acompanhada de alguns riscos, especialmente em áreas de atrito. Então, nessa região que é mais sensível, há um risco de afetar a ereção do pênis e causar disfunção sexual, por exemplo. Mas os principais riscos estão relacionados a uma aplicação feita de forma errada", diz a dermatologista Natasha Crepaldi, professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

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Salomão destaca também que não há orientações médicas sobre o uso do botox para fins estéticos nessa região.

"Não existem estudos científicos que comprovem nem a eficácia nem a segurança do scrotox para essa finalidade estética. Além disso, a ação do  botox é principalmente no músculo, e não na pele. Então, de qualquer forma, o efeito é pobre, uma vez que ali não há uma musculatura que contraia a bolsa escrotal", reforça o especialista.

O procedimento é mais famoso no exterior, onde custa aproximadamente mil dólares, mas tem conquistado espaço nas clínicas do Brasil. A técnica, no entanto, começou a ser utilizada com um outro propósito, para aliviar dores crônicas nos testículos. Em um estudo de pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, homens que sofrem com as dores — que acometem cerca de 4,8% da população masculina — e não tiveram melhoras com outros métodos de tratamento, receberam o botox.

Isso porque a toxina é capaz de bloquear os nervos da região por um período duradouro. Os resultados, publicados na revista científica The Journal of Sexual Medicine , em 2014, comprovaram que a técnica proporcionou redução da dor por três meses ou mais para a maioria dos voluntários que participaram do experimento. Porém, o objetivo era impedir a transmissão dos nervos e, consequentemente, a dor, e não alisar a pele.

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