Mortes relacionadas ao álcool dispararam durante a pandemia
Alessandra Corrêa - De Washington (EUA) para a BBC News Brasil
Mortes relacionadas ao álcool dispararam durante a pandemia

Em 2020, primeiro ano da pandemia, foram registradas 8.169 mortes totalmente atribuíveis ao álcool no Brasil — um crescimento de 24% em relação ao número de 2019 (6.594).

Os dados foram revelados pelo estudo “Álcool e a Saúde dos Brasileiros – Panorama 2022”, desenvolvido pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), divulgado nesta terça-feira (14).

O levantamento também sinalizou um aumento consideravelmente maior à média de mortes desta categoria na década anterior, de 2010 a 2019: 6.830.

Ao mesmo tempo, também foi registrada uma queda de 15% neste tipo de internações em 2020, em comparação à 2019.

As mortes totalmente atribuíveis ao álcool são consideradas aquelas que poderiam ser evitadas caso não houvesse o consumo de bebidas. Por exemplo, casos de envenenamento por álcool, miopatia alcoólica, da síndrome alcoólica fetal e de transtornos mentais e comportamentais ligados diretamente ao álcool, entre outros.

À BBC, o psiquiatra e presidente executivo do CISA, Arthur Guerra explicou que a queda nos índices de internações é "totalmente explicável por conta da pandemia", quando a covid-19 sobrecarregava os leitos dos hospitais e fez com que houvesse uma menor procura das pessoas por atendimento devido a outros problemas de saúde.

O aumento no número de mortes atribuíveis ao álcool no país em 2020 ocorreu entre adultos de 35 a 54 anos (aumento de 25,6%). Em seguida vem a faixa etária de 55 anos e mais (aumento de 23%) e 18 a 34 anos (aumento de 19,5%). Para homens e mulheres, o crescimento constatado foi semelhante: de 24% e 23%, respectivamente.

Guerra ainda falou sobre o impacto que o isolamento realizado durante as fases agudas da pandemia nas pessoas pode ter feito com que elas “ficassem mais depressivas, ansiosas e usassem o álcool como muleta.”

"Não temos dúvida de que ocorreu uma maior ingestão de álcool em casa no período da pandemia",  disse o presidente do CISA.  “Há quem bebia só no fim de semana e que começou a beber todas as noites; há quem bebia todas as noites e passou a beber durante o almoço também e houve a mudança no padrão de comprar online de bebidas, com facilidade para jovens."

"Mas o álcool, em geral, não causa morte a curto prazo — a não ser que a pessoa não fique em casa, dirija um carro, algo assim. A morte pelo consumo de álcool costuma acontecer depois de um processo lento: por cirrose, pancreatite, demência alcoólica..." explicou.

É no processo lento que pessoas dependentes do álcool são tratadas, na chamada atenção primária — representada, por exemplo, pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Esse tipo de tratamento ambulatorial, e não hospitalar, costuma ser o mais importante para pessoas em risco.


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