Balas Skittles podem ser banidas nos EUA - 28.07.2022
Divulgação: 28.07.2022
Balas Skittles podem ser banidas nos EUA - 28.07.2022

As manchetes de nutrição têm destacado um processo recente alegando que o Skittles – os doces coloridos da fama de “sabor do arco-íris” – eram “impróprios para consumo humano” por causa da presença de uma “conhecida toxina” chamada dióxido de titânio. O processo de ação coletiva, aberto em 14 de julho no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, disse que a Mars Inc., fabricante dos doces, “conhecia há muito tempo os problemas de saúde” que o composto químico representava e que havia até se comprometido publicamente em 2016 a eliminar a substância de seus produtos.

No entanto, de acordo com a denúncia, a empresa de doces “desrespeitou sua própria promessa aos consumidores” e continuou a vender Skittles com dióxido de titânio, representando um “risco significativo para a saúde de consumidores desavisados”. Mas o que é esse dióxido de titânio exatamente? Devemos nos preocupar com isso em doces ou em qualquer outro alimento? Aqui está o que sabemos.

“O dióxido de titânio é um composto químico, derivado de um mineral natural, que é processado e usado como aditivo de cor, agente antiaglomerante e branqueador. Além de estar presente em milhares de produtos alimentícios de várias categorias. Isso inclui muitas gomas de mascar, molhos para saladas, geleias, assados e latícinios, como queijo cottage e sorvetes”, disse Tasha Stoiber, cientista sênior do Environmental Working Group, uma organização sem fins lucrativos focada na saúde e segurança do consumidor.

Doces e guloseimas também compõem uma grande parte dos produtos alimentícios que contêm a substância. Uma revisão recente do EWG concluiu que milhares de doces infantis o continham. O dióxido de titânio também é usado em uma variedade de itens não alimentícios, como certos medicamentos, protetores solares, cosméticos, tintas e plásticos.

É seguro comer?

Desde 1966, a agência reguladora americana Food and Drug Administration (FDA) reconheceu o uso de dióxido de titânio na alimentação humana como seguro, desde que não exceda 1% do peso do alimento. Entretanto, apesar de seu uso generalizado, estudos publicados desde a década de 1960 levantaram questões sobre sua segurança. Uma revisão de 2015 de estudos, principalmente em animais (mas alguns em humanos), descobriu que o dióxido de titânio não passava apenas pelo corpo, como sugeriram pesquisas na década de 1960. Em vez disso, os pesquisadores descobriram que o aditivo pode ser absorvido pela corrente sanguínea através dos intestinos e se acumular em certos órgãos, potencialmente danificando o baço, fígado e rins.

Um estudo animal subsequente publicado em 2017 vinculou o dióxido de titânio a um maior risco de inflamação intestinal, câncer e danos ao sistema imunológico. Essa pesquisa foi tão preocupante que, em 2019, o governo francês pediu a proibição do dióxido de titânio até 2020. E em 2021, outra revisão de estudos em animais e humanos levantou a possibilidade de que o dióxido de titânio possa desempenhar um papel em doenças inflamatórias intestinais e câncer colorretal.

Mais recente, em 2022, após uma avaliação pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, a União Europeia decidiu proibir o dióxido de titânio nos alimentos. A agência destacou sua preocupação de que o aditivo possa danificar o DNA e levar ao câncer. Embora ainda sejam necessárias mais pesquisas, a agência concluiu que não conseguiu estabelecer um nível seguro de dióxido de titânio nos alimentos.

Outros países como a Grã- Bretanha e o Canadá, no entanto, discordaram da decisão e continuaram a permitir o dióxido de titânio nos alimentos. Segundo o professor de farmacologia e toxicologia, Norbert Kaminski, cuja própria pesquisa animal sobre dióxido de titânio foi parcialmente financiada por grupos industriais, disse que os estudos usados para justificar a proibição do ingrediente na União Europeia continham falhas de metodologia.

Um funcionário da FDA disse à reportagem que a agência revisou as conclusões da proibição da União Europeia e concluiu que os estudos disponíveis “não demonstram preocupações de segurança relacionadas ao uso de dióxido de titânio como aditivo de cor”.

Pierre Herckes, professor de química da Escola de Ciências Moleculares da Universidade Estadual do Arizona e autor de um estudo de 2014 sobre dióxido de titânio, disse que, com base na pesquisa atual, que é mista, é difícil dizer se os consumidores devem limitar seu consumo do aditivo. "Eu não tenho um claro sim ou não”, disse ele.

Herckes disse que guloseimas e doces contêm alguns dos mais altos níveis de dióxido de titânio e são consumidos principalmente por crianças, há motivos para preocupação, devido aos seus corpos menores e doses relativas mais altas. “Se houver dano ao DNA, carcinogenicidade clássica, isso é cumulativo ao longo do tempo. Quando você é exposto a isso nos anos mais jovens, pode atingi-lo nos anos posteriores”, disse ele.

O que pode ser feito para evitá-lo?

A fabricante dos Skittles, Mars Inc., está em processo de eliminação gradual do dióxido de titânio em seus produtos vendidos na Europa. Entretanto, a empresa continua com trabalhos ativos sem mudança nos Estados Unidos, onde o dióxido de titânio ainda é permitido.

Em uma declaração enviada por e-mail ao The Times, Justin Comes, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da Mars Inc., disse que o uso de dióxido de titânio pela empresa “está em total conformidade com as regulamentações governamentais.

Embora não comentemos litígios pendentes, todos os ingredientes da Mars Wrigley são seguros e fabricados em conformidade com os rigorosos requisitos de qualidade e segurança estabelecidos pelos reguladores de segurança alimentar, incluindo o FDA”. A Mars Inc. não respondeu quando perguntada se planejava remover o aditivo de seus produtos vendidos nos Estados Unidos.

Scott Faber, vice-presidente sênior de assuntos governamentais do Environmental Working Group, disse que evitar o aditivo pode ser difícil, já que as empresas de alimentos não são obrigadas a incluí-lo em suas listas de ingredientes, indicando apenas “cor adicionada” ao invés de listar os ingredientes específicos usados.

“Sua melhor aposta, então, para limitar o consumo de dióxido de titânio é escolher produtos que não contenham corantes adicionados. Ou você pode continuar comendo alimentos não processados, integrais ou orgânicos quando puder”, disse Marion Nestle, professora emérita de nutrição, estudos alimentares e saúde pública da Universidade de Nova York.

Quanto ao Skittles em particular, Nestlé disse que, como há suspeitas de que o aditivo possa ser cancerígeno, “Mars deveria retirá-lo. Eles não deveriam usá-lo.” Ela acrescentou: “Por que arriscar?” Isso deve afetar suas escolhas no supermercado? E isso afetará o resultado do processo contra a Mars Inc.? Parece que o júri ainda está fora.

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