
O Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), na zona sul de São Paulo, enfrenta um surto do “superfungo” Candida auris . Em nota enviada ao iG, o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Estadual (IAMSPE), que administra a unidade, informa que foram identificados 14 pacientes com a presença do microorganismo, mas que não foram infectados, e um quadro de infecção.
Na nota, a unidade diz que o primeiro caso do Candida auris foi identificado em 2 de janeiro de 2025 e que, "imediatamente, o Hospital notificou a Anvisa e adotou todas as medidas de segurança e controle", como o isolamento dos pacientes em quartos individuais, higienização intensificada e treinamento para as equipes.
“De acordo com o preconizado pelos órgãos de vigilância, a unidade segue realizando coletas mensais por seis meses para análise do cenário”, segue a nota.
O paciente de 73 anos infectado pelo superfungo morreu. Entretanto, o hospital salientou que o óbito foi causado por "complicações cirúrgicas e não em razão da infecção do fungo".
"O HSPE continua aprimorando o trabalho no atendimento humanizado e está reforçando todas as barreiras para garantir a segurança dos pacientes", finaliza a nota.
O Portal iG entrou em contato com a Anvisa para apurar quais são os protocolos de identificação e controle do Candida auris em unidades de saúde, registros atualizados de casos no Brasil e recomendações para prevenção e tratamento. Até o momento, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.
Superfungo
Em entrevista ao iG, o médico infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Filipe Prohaska Batista explica que o Candida auris é uma evolução natural das espécies de Candida, que já são parte do corpo humano. Contudo, essa variação desenvolveu características que a tornam mais letal, como a resistência ao calor, a produtos químicos e até mesmo aos antifúngicos mais comuns usados nos tratamentos de infecções.
"Isso faz da Candida auris uma combinação perfeita: ela sobrevive no ambiente, resiste às medicações e ainda tem uma grande capacidade de se adaptar ao organismo humano", diz o infectologista.
Ele explica que o fungo não é considerado comum no Brasil - mas que os surtos registrados em Salvador, Recife, Campinas e, mais recentemente, em São Paulo, demonstram que, uma vez introduzido em um ambiente, ele é difícil de ser controlado. E um dos motivos para isso é, justamente, o baixo índice de diagnósticos no país. "Pode haver casos em muitos outros lugares, mas, sem exames adequados, não conseguimos mensurar a real frequência desse fungo no Brasil", prossegue.
Quanto ao tratamento, o médico afirma que, até o momento, a maioria dos casos registrados foram apenas colonizações, ou seja, situações em que o fungo está presente no corpo, mas sem causar infecção ativa.
No entanto, nos casos em que há necessidade de intervenção médica, "a combinação de medicações é necessária, então você precisa combinar antifúngicos para poder ter um tratamento adequado, uma medicação apenas tem sido insuficiente".
Confira a nota do IAMSPE na íntegra
O Hospital do Servidor Público Estadual identificou em 2 de janeiro de 2025 um caso de Candida auris. Imediatamente, o Hospital notificou a Anvisa e adotou todas as medidas de segurança e controle, como a manutenção de pacientes em quartos individuais, higienização intensificada e treinamentos para as equipes. De acordo com o preconizado pelos órgãos de vigilância, a unidade segue realizando coletas mensais por seis meses para análise do cenário.
Semanalmente, o HSPE se reúne com a Anvisa para relatar as ações e os resultados das coletas, reforçando as normas de controle de infecção em todo o hospital.
Importante salientar que o óbito do paciente de 73 anos foi por causado complicações cirúrgicas e não em razão da infecção do fungo.
Durante as coletas diárias, notificadas para as autoridades sanitárias, foi identificado a presença do microorganismo em outros 14 pacientes, no entanto, nenhum evoluiu para a infecção, ou seja, sem causar doença, durante a internação e tratamento dos pacientes.
O HSPE continua aprimorando o trabalho no atendimento humanizado e está reforçando todas as barreiras para garantir a segurança dos pacientes.