
Mais de 55 milhões de pessoas no mundo vivem com algum tipo de demência, de acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), e esse número tende a crescer com o envelhecimento da população global. A forma mais comum, a doença de Alzheimer, está no centro de estudos que investigam tanto sua base genética quanto formas de prevenção e promoção da saúde cerebral.As informações são da Harvard Health.
Um dos principais pesquisadores nessa área é o neurologista Rudolph E. Tanzi, codiretor do Centro Henry e Allison McCance para Saúde Cerebral no Hospital Geral de Massachusetts e professor ligado a Harvard. Ele tem dedicado décadas a mapear genes associados ao Alzheimer e a desenvolver estratégias para manter o cérebro ativo e resiliente ao longo da vida.

Tanzi foi um dos pioneiros na identificação de genes associados à doença, incluindo variantes que influenciam a produção de proteínas como a beta-amiloide, uma das marcas biológicas do Alzheimer.
Pesquisas internacionais mostram que mais de 70 genes estão ligados ao risco da doença, e que variações como o gene APOE4 podem aumentar significativamente as chances de desenvolvimento do quadro em algumas pessoas.
Além da genética, Tanzi destaca que o estilo de vida tem papel essencial na saúde cognitiva. Ele criou a rotina conhecida como SHIELD, um conjunto de hábitos baseados em evidências que visam proteger o cérebro contra o declínio cognitivo e apoiar funções como memória, atenção e raciocínio.
Entre as recomendações estão:
- Sono de qualidade: dormir ao menos 7 a 8 horas por noite ajuda a “limpar” toxinas cerebrais, incluindo proteínas relacionadas ao Alzheimer;
- Gerenciamento do estresse: técnicas de redução de estresse, como meditação ou atividades recreativas, podem reduzir a produção do hormônio cortisol, associado a danos neuronais;
- Interação social: manter laços sociais e contato regular com familiares e amigos estimula áreas cognitivas e reduz sentimentos de isolamento.
- Exercício físico: Atividades aeróbicas regulares promovem a criação de novas conexões neurais e produção de fatores neurotróficos, fortalecendo a função cerebral;
- Aprendizado contínuo: desafiar o cérebro com novos conhecimentos e habilidades constrói reservas cognitivas que podem retardar o declínio mental.
Especialistas internacionais também reforçam que hábitos saudáveis, como dieta equilibrada, controle de fatores cardiovasculares e envolvimento em atividades cognitivamente estimulantes, estão ligados a um risco de demência menor, mesmo em pessoas com predisposição genética.
Alguns estudos sugerem que mudanças no estilo de vida podem reduzir o risco em mais de 40%.
Tanzi, agora com 67 anos, aplica essa rotina em sua própria vida, mantendo-se ativo física e mentalmente e engajado com pesquisas científicas. Para ele, a mensagem é clara: embora ainda não haja cura para o Alzheimer, estilos de vida saudáveis e hábitos de proteção cerebral podem fazer diferença significativa na manutenção da função cognitiva ao longo da vida.