café
shutterstock
café

Nas prateleiras do supermercado, palavras chamativas costumam pesar mais que informações técnicas, especialmente no mundo dos cafés. Expressões como “gourmet”, “100% arábica” e “extra forte” aparecem em destaque nas embalagens, mas nem sempre refletem o padrão real do produto.

No Brasil, os produtos são organizados em grupos como tradicional, extraforte, gourmet e especial. O especial é considerado o mais alto nível de qualidade, com o gourmet logo atrás. A distinção entre eles está na avaliação técnica dos grãos, avaliando aspectos como falta de defeitos e as características sensoriais da bebida. 

Profissionais do setor alertam que nem toda marca estampada na embalagem garante a existência de uma auditoria formal. No que diz respeito aos cafés especiais, a certificação fornecida pela Brazil Specialty Coffee Association (BSCA) é uma das referências aceitas no mercado.

Quando um selo oficial está presente, frequentemente ele é acompanhado de um QR Code que possibilita a consulta de detalhes sobre a rastreabilidade, como quem produziu, a origem e as características do lote. Para receber esse selo, o café deve cumprir critérios técnicos avaliados de maneira padronizada.

Além de prestar atenção aos selos, é necessário ter cuidado com frases que frequentemente se destacam na parte da frente das embalagens. A expressão “100% arábica”, por exemplo, não deve ser vista como garantia automática de qualidade. Apesar de a variedade arábica estar ligada a bebidas que possuem um aroma mais rico e uma complexidade maior, essa denominação apenas revela que o pacote contém exclusivamente grãos dessa espécie. Isso não significa que o produto esteja livre de falhas que possam prejudicar o sabor final.

Já a expressão “extra forte” geralmente se refere a uma torra mais intensa. De acordo com especialistas em café, uma torra excessivamente escura pode realçar o amargor e, em alguns casos, esconder imperfeições dos grãos. O resultado não é necessariamente um  café superior, mas sim uma bebida que apresenta um sabor mais intenso e, em muitas situações, mais amargo.

Diante disso, a recomendação é que o consumidor observe a categoria do produto, procure certificações com rastreabilidade e verifique o tipo de torra indicado na embalagem. Entender essas informações pode evitar escolhas baseadas apenas em termos promocionais e contribuir para uma experiência mais satisfatória na xícara.
* Estagiária sob supervisão

    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes