Implante cerebral chinês promete devolver movimento às mãos
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Implante cerebral chinês promete devolver movimento às mãos

A China aprovou o uso de um implante cerebral  voltado a pessoas com paralisia grave, com o objetivo de restaurar os movimentos das mãos. A tecnologia, baseada em uma interface cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês), é a primeira do tipo no mundo autorizada para uso fora de testes clínicos . As informações são da Nature.

O dispositivo foi desenvolvido pela empresa chinesa Neuracle Medical Technology, sediada em Xangai, e recebeu autorização da National Medical Products Administration na última semana. A tecnologia poderá ser utilizada por pessoas entre 18 e 60 anos com paralisia que afeta todos os membros, causada por lesões na região cervical da medula espinhal.

Segundo o neurocirurgião Chen Liang, do Huashan Hospital, que participou dos testes clínicos do dispositivo, chamado NEO, a tecnologia é essencial devido à ausência de tratamentos eficazes para lesões na medula espinhal.

O Cérebro precisa de atenção
Reprodução internet
O Cérebro precisa de atenção


Para especialistas, a aprovação representa um marco no campo da neurotecnologia. O engenheiro elétrico Zhengwu Liu, que colaborou com a equipe do projeto, afirma que a liberação do dispositivo demonstra um avanço significativo nas pesquisas com interfaces cérebro-computador.

A equipe responsável pelo NEO reuniu até 18 meses de dados que comprovam o funcionamento do sistema. De acordo com Liu, evidências de longo prazo são raras nesse tipo de pesquisa e foram fundamentais para a autorização do uso clínico.

Atualmente, outras interfaces cérebro-computador também estão em fase de testes prolongados. No ano passado, a empresa Paradromics recebeu autorização para testar um dispositivo capaz de restaurar a fala em pessoas que perderam essa capacidade devido a doenças neurológicas. Já a Neuralink informou, em janeiro, que 21 pessoas participam de testes com seus dispositivos, iniciados em 2024.

Como funciona o implante

Do tamanho de uma moeda, o NEO é implantado no crânio e utiliza oito eletrodos posicionados sobre um lado do cérebro para registrar a atividade elétrica quando o paciente imagina mover a mão oposta. Esses sinais são enviados a um computador, que os decodifica e os transforma em comandos para controlar uma luva robótica.

Com isso, o usuário consegue realizar tarefas do dia a dia, como segurar objetos, comer e beber.

Em um estudo preliminar publicado no ano passado, ainda sem revisão por pares, pesquisadores relataram que um paciente conseguiu voltar a se alimentar sozinho após nove meses de uso do dispositivo, algo que não era possível antes da cirurgia. Houve melhora significativa na capacidade de agarrar, segurar e movimentar a mão direita, além de avanços mais discretos na mão esquerda.

Até agora, 32 pessoas receberam o implante. Segundo Chen Liang, todos os pacientes conseguiram realizar movimentos de preensão com o auxílio da luva robótica, algo que não conseguiam anteriormente.

Avanços e desafios

Para o pesquisador Avinash Singh, o dispositivo demonstra ser seguro e funcional, mas ainda há limitações. Ele ressalta que o número de participantes nos estudos é pequeno, o que exige mais pesquisas para confirmar os resultados.


Uma das principais diferenças do NEO em relação a outras tecnologias é o seu caráter minimamente invasivo. Enquanto dispositivos como os da Neuralink são inseridos diretamente no cérebro, o implante chinês é posicionado no crânio, o que pode ter contribuído para uma aprovação mais rápida pelas autoridades reguladoras.

Apesar dos desafios, especialistas consideram que a liberação do NEO pode acelerar o desenvolvimento de novas soluções para pacientes com paralisia, abrindo caminho para uma nova geração de tratamentos baseados na conexão direta entre cérebro e máquinas.

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