
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o risco de disseminação global do hantavírus relacionado ao surto no cruzeiro MV Hondius é “absolutamente baixo”. A declaração foi feita nesta sexta-feira (8) pelo porta-voz da entidade, Christian Lindmeier, durante entrevista em Genebra. As informações são do Le Monde.
Segundo a OMS, o hantavírus representa perigo principalmente para as pessoas efetivamente infectadas, mas não há indícios de transmissão fácil entre humanos em larga escala.
É um vírus perigoso, mas apenas para a pessoa realmente contaminada. O risco para a população em geral permanece extremamente baixo Christian Lindmeier, porta-voz da OMS
O porta-voz destacou ainda que, mesmo entre passageiros que dividiram cabine com pessoas infectadas a bordo do navio, houve casos em que o companheiro de quarto não contraiu a doença. Para a OMS, isso reforça que a transmissão não ocorre de maneira simples ou altamente contagiosa.

Lindmeier comparou o cenário ao sarampo para explicar a diferença no potencial de propagação. Segundo ele, doenças altamente transmissíveis podem infectar pessoas apenas pela proximidade em um mesmo ambiente, enquanto o hantavírus exige contato muito próximo entre os indivíduos.
Não é um novo Covid Christian Lindmeier, porta-voz da OMS
Comissária da KLM testou negativo para hantavírus
A entidade também informou que uma comissária de bordo da companhia aérea KLM, hospitalizada em Amsterdã após apresentar sintomas leves, testou negativo para hantavírus. A profissional havia tido contato com uma passageira holandesa de 69 anos durante um voo entre Joanesburgo e os Países Baixos.
A passageira fazia parte do grupo ligado ao surto investigado no cruzeiro MV Hondius e morreu posteriormente em decorrência da infecção. Autoridades de saúde seguem monitorando possíveis contatos e investigando a origem dos casos registrados na embarcação.

Hantavírus no MV Hondius
O caso ganhou repercussão internacional após uma série de mortes e infecções suspeitas registradas a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, embarcação de expedição que navegava pela região da Patagônia e da Antártida.
O alerta foi emitido depois que passageiros começaram a apresentar sintomas compatíveis com hantavírus, doença rara transmitida principalmente pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores contaminados. Ao menos três pessoas morreram e vários ocupantes da embarcação precisaram ser monitorados pelas autoridades sanitárias.
As investigações mobilizaram equipes de saúde da Argentina, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas internacionais para tentar identificar a origem da contaminação. O caso gerou preocupação devido à possibilidade de transmissão entre pessoas em ambientes fechados, como cabines de navio e aeronaves.
Passageiros e tripulantes passaram a ser rastreados após desembarques em diferentes países, enquanto autoridades reforçaram que, até o momento, não há evidências de disseminação ampla ou risco de uma nova pandemia.