Durante o inverno, o organismo passa por alterações que podem favorecer o aumento da pressão arterial e elevar o risco de AVC.
Foto: Alex Rocha/PMPA
Durante o inverno, o organismo passa por alterações que podem favorecer o aumento da pressão arterial e elevar o risco de AVC.

A chegada do inverno e das frentes frias que atingem diversas regiões do país traz preocupações que vão além dos tradicionais casos de gripe e doenças respiratórias. Estudos apontam que os  períodos de baixas temperaturas também estão associados ao aumento de ocorrências de problemas cardiovasculares, incluindo o Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil.

Embora o frio não seja uma causa direta do AVC, especialistas explicam que as mudanças fisiológicas provocadas pelas temperaturas mais baixas podem favorecer condições que elevam o risco da doença. A combinação entre contração dos vasos sanguíneos, aumento da pressão arterial, alterações na coagulação do sangue e mudanças de hábitos durante o inverno cria um cenário que merece atenção, especialmente entre pessoas idosas e pacientes que já possuem fatores de risco conhecidos.

Segundo Felipe Mendes, médico neurocirurgião mineiro e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, algumas condições associadas ao AVC podem se tornar mais frequentes ou mais difíceis de controlar durante o período frio.

Uma das possibilidades e teorias que existem é que alguns fatores de risco que já são naturalmente responsáveis por estarem associados ao AVC podem ficar mais desregulados no período do frio, como por exemplo, o aumento da pressão sanguínea, o aumento da propensão de fenômenos de coagulação dentro da circulação sanguínea e alguns estudos colocam também a possibilidade de aumento dos níveis de colesterol e o aumento da chance de ter AVC por conta de um êmbolo que tem origem no coração ou em grandes vasos Felipe Mendes


O mecanismo por trás desse aumento do risco está relacionado à forma como o organismo reage às baixas temperaturas. Para conservar calor, os vasos sanguíneos tendem a se contrair, processo conhecido como vasoconstrição. Essa resposta natural pode elevar a pressão arterial e aumentar a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular.

Além disso, durante o inverno muitas pessoas reduzem a prática de exercícios físicos, permanecem mais tempo em ambientes fechados e costumam consumir menos água ao longo do dia. Esses comportamentos podem contribuir para o agravamento de fatores que já estão diretamente ligados ao AVC.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o Acidente Vascular Cerebral continua sendo uma das doenças que mais causam mortes e sequelas permanentes no país. A condição ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma área do cérebro é interrompido ou reduzido, provocando danos às células cerebrais. Quanto mais rápido o atendimento médico é realizado, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de sequelas.

Por isso, a prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir a incidência da doença, independentemente da estação do ano.

O mesmo tipo de prevenção que se deve ter em qualquer época vai valer também no inverno. É importante estar atento aos fatores de risco que já são classicamente conhecidos do AVC, como por exemplo, controle da pressão arterial, controle do colesterol, controle do diabetes, controle do sedentarismo, evitar ou reduzir o tabagismo e manter o estado de hidratação, já que no frio as pessoas tendem a ingerir menos líquido Felipe Mendes


Idosos estão entre os mais vulneráveis

Os especialistas também chamam atenção para a população idosa, que costuma sofrer mais com os extremos climáticos. O envelhecimento naturalmente aumenta a vulnerabilidade do organismo às mudanças de temperatura, além de estar frequentemente associado à presença de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e problemas cardíacos.

De acordo com Felipe Mendes, pessoas acima dos 75 anos merecem atenção especial durante os períodos de frio intenso.

Os pacientes mais idosos naturalmente sofrem mais com os extremos, sejam eles de frio ou calor intenso. Nós já sabemos dessa correlação nessa época do ano com relação a doenças respiratórias como resfriados e pneumonias que acabam acometendo mais esse grupo de pessoas. Dentro do AVC eles também vão sofrer mais, principalmente pela faixa etária a partir dos 75 anos Felipe Mendes


Familiares e cuidadores devem observar não apenas a proteção contra o frio, mas também garantir que os idosos mantenham uma boa hidratação, sigam corretamente os tratamentos médicos prescritos e realizem acompanhamento regular das condições de saúde.

Sinais de alerta exigem atendimento imediato

Reconhecer rapidamente os sintomas de um AVC pode fazer toda a diferença no prognóstico do paciente. Entre os principais sinais de alerta estão a perda de força ou sensibilidade em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender palavras, desvio da boca, perda repentina da visão, tontura intensa e alterações no equilíbrio.

Diante de qualquer suspeita, a recomendação é buscar atendimento médico de emergência imediatamente. Cada minuto é importante para reduzir os danos cerebrais e aumentar as chances de recuperação.

Com a chegada das temperaturas mais baixas, especialistas reforçam que a atenção à saúde cardiovascular deve fazer parte da rotina da população. Manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas e não ignorar sintomas suspeitos são medidas fundamentais para atravessar o inverno com mais segurança.

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