
Quem já se machucou sabe que o incômodo vai além do ferimento. Trocar o curativo dói, limpar o local se torna um problema e qualquer movimento pode afetar o processo de cicatrização.
Foi pensando nisso que, em parceria com a Dermbio Biotech, os pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criaram um curativo líquido, capaz de formar uma película protetora sobre o ferimento em até 45 segundos.
A tecnologia impermeável, transparente e não poluente também diminui o tempo de recuperação do paciente em até 50%.

Segundo o professor e coordenador do estudo, Rubens Maciel Filho, o diferencial está no fato de que o curativo líquido dispensa o uso de gaze, ataduras ou fitas adesivas, métodos tradicionais que podem causar infecções.
O ferimento afeta a qualidade de vida e a pessoa sacrifica muitas atividades que precisam ser realizadas no dia a dia. O grande atrativo da tecnologia em que a Dermbio se baseou é que ela pode levar a um novo método de cobertura da ferida sem haver nenhum toque nela, sem você colocar uma gaze ou atadura. Estamos formando um filme inteligente, no sentido de que ele interage muito bem com a pele e cria uma condição de barreira contra agentes externos que causam infecção, servindo como substrato para acelerar a cicatrização da ferida. Rubens Maciel Filho, professor da Unicamp e coordenador do estudo.
A doutora em Engenharia Química pela Unicamp, Ana Flávia Pattaro, por sua vez, afirma que uma das principais características é a eficácia no tratamento de ferimentos em regiões de dobras e articulações, como cotovelos e joelhos.
O curativo, além de biocompatível, ainda possibilita que a pessoa tome banho sem se preocupar com os riscos e sem retirar a proteção.
Com o sucesso dos testes e o potencial uso da invenção no dia a dia, os pesquisadores, agora, buscam expandir para o tratamento das feridas em animais, tendo em vista que eles lambem ou arrancam as ataduras.
A tecnologia é totalmente escalável. Nós já realizamos com sucesso os testes de escalonamento do processo saindo da bancada do laboratório. Desenvolvemos equipamentos e processos próprios que não exigem altos investimentos, o que nos garante alta capacidade produtiva, agilidade e custo competitivo no mercado. Rubens Maciel Filho, professor da Unicamp e coordenador do estudo.
*Estagiária sob supervisão