A importância de um mês para falar de saúde mental de forma global
Reprodução IA
A importância de um mês para falar de saúde mental de forma global

A data, criada há 11 anos, aproveitando que janeiro é quando recomeçamos com novo fôlego, como se houvesse uma página em branco na nossa frente, pronta para receber novas histórias, traz a discussão de se cuidar da saúde da mente e olhar de frente para nossas emoções.

Esse olhar para questões muitas vezes invisíveis, com sintomas que não são diagnosticados com exames convencionais e que ainda são um tabu para grande parte das pessoas, é essencial para acolher, por exemplo, mais de 18 milhões de brasileiros que convivem com ansiedade, uma das condições mentais mais comuns no país, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em 2023, a CAMPANHA JANEIRO BRANCO foi instituída oficialmente como política pública no Brasil por meio da Lei nº 14.556/23. Entre os objetivos da campanha está incentivar a sociedade a reconhecer sinais de sofrimento emocional e reforçar a importância de procurar tratamento quando necessário.

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de dezembro de 2025, revelou que os jovens são os que mais sofrem internações por saúde mental, mas, paradoxalmente, são os que menos procuram ajuda médica. Já o Ministério da Saúde divulgou estimativa de que até 90% das pessoas que cometeram suicídio apresentavam algum transtorno mental antes do ato.

Em setembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou novos relatórios (World Mental Health Today e Mental Health Atlas 2024) mostrando que mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem com algum transtorno mental como ansiedade e depressão — condições que agora são a segunda maior causa de incapacitação de longo prazo globalmente. Essas análises apontam que muitos países ainda gastam pouco em saúde mental, em média de 2% dos orçamentos de saúde, e há escassez de profissionais, já que há cerca de 13 trabalhadores de saúde mental por 100 mil habitantes globalmente.

Segundo Paula de Oliveira e Sousa, 57, psicóloga clínica há 35 anos, essa discussão é necessária, pois eleger um mês para abordar um tema como esse cria uma agenda comum entre mídia, governo e sociedade, além de ganhar espaço e  visibilidade, com a divulgação de dados atualizados sobre o tema, organizados de um jeito para que a população entenda e não só os especialistas.

Paula ainda explica qual a melhor atitude a ser tomada diante de temas como ansiedade e depressão:  “a gente não deve fugir e sim encarar. Quando se está nessas condições, é preciso entender o que está acontecendo, procurar auxílio e resolver a causa. É preciso entender o que está preso no passado pra viver o presente e entender porque se está com tanto medo do futuro.”

O Janeiro Branco desmistifica algo que parecia distante, mas que está cada vez mais presente na realidade social. A psicóloga ainda dá uma dica pra quem se preocupa em manter a mente sadia: "Uma das formas de se cuidar do emocional é ter contato com a arte, transformando, interagindo ou trabalhando a renovação do jeito de se estar no mundo. Um exemplo disso é observar uma criança que parou de brincar, essa atitude costuma denotar que ela está doente. O mesmo acontece com o adulto que perde o hábito de usar a imaginação e se torna repetitivo e rígido, se distanciando da criatividade."

Pra começar o ano escrevendo uma nova realidade é preciso uma tomada de decisão, empatia e coragem.  



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