Bárbara Arranz é biomédica e trata o filho com cannabis sativa há quase dez anos
Aquivo Pessoal
Bárbara Arranz é biomédica e trata o filho com cannabis sativa há quase dez anos


No 28 de janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa) tomou decisões históricas que transformam o cenário da cannabis medicinal no Brasil. Entre elas, a regulamentação de toda a produção medicinal, incluindo cultivo, produção e comercialização de cannabis sativa para fins medicinais, farmacêuticos e científicos em território brasileiro, cumprindo uma determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A decisão, que foi publicada oficialmente no Diário Oficial da União no dia 3 de fevereiro de 2026, torna legal o cultivo da planta cannabis sativa no Brasil,  com regras estritas e sob controle sanitário, voltado a fins medicinais e farmacêuticos e não para uso recreativo. Com isso, empresas, universidades, instituições de pesquisa e associações de pacientes poderão cultivar a planta. Além disso, agora, farmácias de manipulação poderão manipular e vender produtos com canabidiol (CBD), com prescrição médica e formas de administração ampliadas, como oral, sublingual, bucal e dermatológica por exemplo.

Impacto nas terapias e acesso ao medicamento

A nova regra amplia o acesso a tratamentos com cannabis, permitindo que pacientes com doenças graves tenham mais opções terapêuticas e potencialmente reduzindo a dependência de importações caras e de obter permissão via judicialização.

A cannabis medicinal é uma planta que tem diferentes composições químicas, usos terapêuticos e formas de preparo. Ela possui centenas de substâncias, mas as principais para uso medicinal são canabinoides (CBD, THC, CBG, CBN, por exemplo), terpenos (responsáveis por aroma e parte do efeito terapêutico) e  flavonoides (ação antioxidante e anti-inflamatória). O efeito medicinal depende da combinação dessas substâncias, que atuam no sistema endocanabinoide do corpo humano, que ajuda a regular a dor, o sono, o humor, o corpo a se desinflamar, além de regular fome e náuseas.

Entrevistei duas pessoas que tem ligação direta com o uso da cannabis medicinal. A primeira delas é Bárbara Arranz, que, há quase dez anos, precisou entender os benefícios da planta para ajudar o terceiro filho, que nasceu com Síndrome de Asperger. No começo, buscou informações através Associação de Apoio à Pesquisa e os Pacientes de Cannabis Medicinal (APEPI), depois, se especializou na Learn Sativa Univesity,  centro de educação em medicina endocanabinoide, localizado na Flórida (EUA). Bárbara conta que a vida do filho mudou radicalmente depois do uso da planta: “Ele se colocou no mundo, através da fala, da expressão e do desenvolvimento social. O uso da planta abriu o mundo novo não só pro meu filho, mas para os outros dois filhos, com mudanças muito profundas em nossa família", conta.

Bárbara acredita que essas mudanças representam um passo necessário, mas ainda longe do fim da caminhada. “O que muda é que pacientes e famílias passam a enfrentar a situação com menos medo, menos burocracia e mais possibilidade de cuidado. Os profissionais de saúde ganham mais segurança pra estudar, prescrever e acompanhar seus pacientes com responsabilidade. Por fim, é preciso reconhecer o papel das associações. Foram elas que seguraram essa luta, garantiram o acesso e resistiram quando tudo era proibido”, conclui a empresária, que tem uma empresa que produz e comercializa uma linha canábica que já atendeu mais de 40 mil pessoas, com mais de 40 fórmulas.

Carol Mafra, atriz, que é paciente de Cannabis medicinal há quatro anos e usa as redes sociais para difundir informações sobre esse universo, tem diabetes, ansiedade e histórico de depressão e, desde 2025,  possui o primeiro habeas corpus de cultivo, uma licença de plantio para cultivar o próprio medicamento, aprovado para diabetes. Ela planta um tipo de canabinoide específico e que atua equaliza os níveis de açúcar do sangue. O uso fez com que diminuísse a quantidade de insulina basal que toma diariamente.

Ela considera que a autorização da ANVISA facilitará a vida de muitas famílias. “O Brasil finalmente consegue enxergar a potência dessa planta nessa área medicinal. A ignorância é quem cria o caos, já que há comprovação de que o uso melhora a qualidade de vida para crianças, adultos e idosos”, conclui Carol.

“Dissemino informação através das redes para trazer conhecimento e as pessoas poderem se curar do preconceito que foi ensinado a elas” – Carol Mafra

Ainda há muito a avançar e é preciso que a sociedade apoie a luta de tantos que sofrem com enfermidades que encontraram um inimigo em uma planta e não em uma droga. A cannabis sativa se torna droga quando é quando é usada sem controle ou fora do contexto médico e como tudo na vida, o que a torna benéfica é a dose.

    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes