Estamos diante de constatações estatísticas do que já vemos diariamente. Com base nos dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados, na última sexta-feira, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), houve um envelhecimento populacional no país, com queda de jovens e aumento de idosos. Os dados vêm do principal levantamento brasileiro sobre o mercado de trabalho e características socioeconômicas e são baseados em entrevistas feitas pela entidade em 168 mil domicílios, em 2025.
A PNAD Contínua mostra que os brasileiros estão vivendo mais, com estreitamento da base da pirâmide etária e alargamento do topo, com mais pessoas idosas, sendo que 58,6% da população total tem 30 anos ou mais. O número de pessoas no Brasil teve um aumento de quase um milhão em relação a 2024.
Enquanto a região Norte se mantém mais jovem, as regiões Sudeste e Sul apresentam concentrações maiores de idosos, com 18,1% de suas populações têm mais de 60 anos.
Vale dizer que, no Brasil, é considerado idoso quem tem 60 anos ou mais, segundo o Estatuto do Idoso . Mas, na prática, envelhecer não é só uma questão de idade, é uma combinação de saúde, autonomia e contexto de vida. Não é à toa que o mercado publicitário já está se preparando para mudar o discurso, atender a essa demanda comercial, refazer a rota atual, onde ainda se retrata os idosos como pessoas sem autonomia e autenticidade. As grandes marcas já estão conversando com esse público de outra forma e a tendência é mudar ainda mais esse cenário.
Na Europa, uma pessoa é geralmente considerada idosa a partir dos 65 anos, mas devido à alta expectativa de vida, o conceito está mudando e médicos na Itália, por exemplo, estão passando a considerar idosos quem tem mais de 75 anos. O Japão é o país com a população mais velha do mundo, possuindo a maior porcentagem de idosos, 29% da população, e o maior número de centenários: já são mais de 100 mil pessoas com 100 anos ou mais.
Voltando ao Brasil, o estudo percebe uma predominância feminina entre os habitantes - existem, aproximadamente, 75,9 homens para cada 100 mulheres com 65 anos ou mais. Sem contar que houve aumento de 109% no número de pessoas que moram sozinhas em 13 anos. Segundo o IBGE, são 15,6 milhões de pessoas e, em 2012, esse número era de 7,5 milhões. Entre todas as 7 milhões de mulheres que moram sozinhas no Brasil, a maioria tem 60 anos ou mais (56,5%). O estado onde mais se mora sozinho é o Rio de Janeiro, com 23,5% de toda a população.
A " Geração Prateada ", como tem sido denominado o grupo dos 60+ , fazendo alusão aos cabelos grisalhos, símbolo do envelhecimento, está cada vez mais ativa, participativa e relevante do ponto de vista econômico, social e cultural. Muitos continuam trabalhando, empreendendo, estudando, viajando, cuidando da saúde e se conectando com novas tecnologias. O SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) destaca que o empreendedor sênior tende a ter mais resiliência, errar menos por experiência e buscar negócios com propósito. É o que eles chamam de “capital de experiência”.
O rápido envelhecimento populacional impõe desafios principalmente em relação às políticas públicas voltadas pra a prevenção de doenças e qualidade de vida. O envelhecimento hoje não é mais sinônimo de retração e é uma fase cada vez mais associada à continuidade, reinvenção e protagonismo. Está mais do que na hora de toda a sociedade rever seus pré-conceitos, seus mecanismos de inserção e sua visão de saúde e trabalho para abrir as portas para uma população que avança fazendo questão de mostrar que tem valor.