
As multas previstas com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que começou a valer em 26 de maio, estão suspensas por 90 dias para viabilizar a construção de um acordo entre o governo e empresas. A liminar será submetida a referendo do plenário entre os dias 7 e 18 de agosto. A atualização da NR-1 passou a incluir os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas, ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes. Fatores como assédio moral, metas abusivas e jornadas exaustivas.
Nesse panorama, irei destacar empresas que mudaram algumas políticas, mesmo diante desse cenário, afinal é necessário que a cultura corporativa tenha cuidado com os colaboradores, para que isso se reflita na entrega e no atendimento ao cliente.
Uma das empresas que encontrei ficava em um bairro paulistano (Lapa) que não tinha acesso fácil ao metrô, apenas ônibus. Depois dos pedidos dos funcionários, o CEO decidiu mudar a sede para um local próximo ao metrô e em uma região central da cidade. Agora, a sede está a duas quadras da estação Consolação, linha verde do metrô.
Além disso, a empresa que fornece serviços de segurança, tecnologia e facilities (gestão de facilidades), ou seja, infraestrutura operacional, conta com sala privativa para gestantes descansarem, medicina ocupacional ativa e cultura de acolhimento contínuo, com lideranças treinadas para o acompanhamento humano das equipes alocadas em postos de trabalho e condomínios.
O CEO Renato Alves, fica orgulhoso do Selo Great Place to Work (GPTW), um reconhecimento global que atesta que a empresa é um excelente lugar para se trabalhar e da certificação ISO 45001, que comprova a implementação de um sistema internacional de gestão de saúde e segurança no trabalho.
Pergunto ao gestor de 10 mil funcionários, se ele espera a NR-1 ser realidade para melhorar a qualidade de vida dos seus funcionários ou prioriza alguns itens, mesmo que isso diminua seu lucro. E a resposta é: “Mais do que seguir regras, acreditamos que a prática é o melhor exemplo a ser seguido. Atuamos para cuidar do colaborador, pois isso tem um retorno importante, porque gera o sentimento de pertencimento”, sinaliza Renato.
“Na sociedade como um todo, vivemos crises de ansiedade, pânico, falta de paciência, nosso desafio como time é criar e manter o ambiente saudável e com escuta ativa. Aqui, a estabilidade do time administrativo está acima de 80% há anos, porque o ambiente é saudável, existe respeito e os resultados são construídos em conjunto. O sucesso vem depois do trabalho”, conta o CEO.
Os números mostram que o país vive uma escalada sem precedentes nos afastamentos por transtornos mentais. Segundo o Ministério da Previdência Social, em 2025 foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais. Trata-se do maior número da série histórica. Os transtornos de ansiedade continuam sendo a principal causa de afastamento, seguidos pelos episódios depressivos. Outro dado importante revela que 63,46% dos benefícios foram concedidos a mulheres, evidenciando que elas têm sido as mais impactadas pelos transtornos mentais relacionados ao trabalho e às múltiplas demandas diárias.
Esses números demonstram que o adoecimento psicológico passou a representar um dos maiores desafios para empresas, gestores e sistemas de saúde. “Para muitas organizações, riscos, porque os problemas ficarão ainda mais reais. Para nós, um futuro positivo, porque profissionais naturalmente procurarão lugares como o nosso para trabalhar. Não é só salário, é respeito, vontade de ajudar e ser ajudado”, dá o exemplo Renato Alves.