CVV lança campanha e pergunta: Quem é a sua
Divulgação CVV
CVV lança campanha e pergunta: Quem é a sua "IA de carne e osso"?


Setembro chega vestido de amarelo e nos lembra sobre a importância que uma boa conversa pode ter.  O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização à prevenção do suicídio. A iniciativa busca ampliar o debate, combater o silêncio e estimular as pessoas a perceberem que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.

E é justamente dentro desse movimento que o Centro de Valorização da Vida (CVV) lançou a campanha #MinhaIA – A melhor conexão sempre é a humana. Pessoas precisam de pessoas, em 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A ideia é mostrar que a melhor conexão sempre é a humana.

Criada pela agência BeHumble, a campanha parte de uma pesquisa realizada pela CNN em parceria com o Instituto Locomotiva, que mostra que cerca de 60% dos brasileiros disseram que interagir com uma inteligência artificial ajuda a reduzir a sensação de solidão. Nesse cenário, a campanha do CVV propõe uma provocação simples: quem é a sua “IA de carne e osso”?

A ideia é transformar nomes que carregam as letras IA em uma brincadeira para chamar a atenção para as pessoas que realmente fazem diferença em nossas vidas, como BIAnca. TIAgo. TatIAna. VitórIA. LucIAno. São as nossas “IAs” humanas. Gente de verdade, aquela pessoa para quem podemos telefonar, o amigo que pergunta se está tudo bem e realmente espera pela resposta, o familiar que percebe quando alguma coisa mudou, ou seja, alguém em quem confiamos.

A proposta da campanha é lembrar que: “Por mais avançada que seja, uma inteligência artificial não oferece empatia, parceria e companhia da mesma forma que uma pessoa. Em um momento em que cada vez mais pessoas precisam de pessoas, queremos fazer um convite à conexão humana. A ideia é transformar a provocação em uma conversa real", afirma Carlos Correira, voluntário do CVV. Para reforçar esse apelo, a capanha contou com o apoio de diversas celebridades, como Diogo Defante, Rafa Brites, Claudia Leitte, Titi Müller, Daniela Suzuki, Fabão
e Alesson.

O Centro de Valorização da Vida existe desde 1962 e oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e anônimo, por meio de voluntários capacitados para ouvir pessoas que estejam passando por momentos de sofrimento emocional. O atendimento acontece durante todo o ano, 24 horas por dia, pelo telefone 188, além de chat e e-mail disponíveis no site oficial da instituição. 

Eliana Soares, voluntária do CVV
Divulgação CVV
Eliana Soares, voluntária do CVV


Setembro Amarelo aumenta a procura pelo CVV

Para entender melhor esse movimento, conversei com Eliane Soares, voluntária do CVV, que explica que o mês de setembro provoca, sim, um aumento na procura pela instituição. Mas ela também explica que: “É um período de maior visibilidade para o tema e, consequentemente, de maior demanda pelas atividades da instituição. Apesar desse aumento, o trabalho de apoio emocional e prevenção do suicídio realizado pelo CVV acontece durante todo o ano. O serviço permanece disponível para quem precisa conversar, independentemente do período ou da campanha”, ressalta Eliane.

Existe também um cuidado importante quando falamos sobre prevenção do suicídio, pois não existe uma fórmula ou um comportamento único que permita identificar uma pessoa em sofrimento. Eliane explica que: “Não existe um padrão único, pois o comportamento suicida é complexo e multifatorial, variando de pessoa para pessoa. No entanto, a maioria das pessoas pede ajuda de forma direta ou indireta antes de uma tentativa.”

Como reconhecer um pedido de ajuda

Segundo a voluntária: "O objetivo geralmente não é morrer, mas acabar com uma dor emocional insuportável. Alguns sinais podem aparecer em falas de desesperança, como “Eu quero morrer”, “Vou me matar”, “Eu sou um fardo para os outros” ou “Não aguento mais essa dor”; em mudanças de comportamento, como isolamento repentino, afastamento de atividades que davam prazer, comportamentos de despedida e falta de cuidado com a higiene ou aparência; e na expressão emocional, como humor flutuante, raiva excessiva, choro frequente, ansiedade extrema ou apatia. O aumento repentino no consumo de álcool ou outras drogas também pode ser um sinal de atenção" orienta Eliane Soares. 

E como o CVV pode ajudar?

"O CVV oferece apoio emocional por meio de voluntários capacitados para oferecer uma escuta acolhedora, sigilosa e sem julgamentos. Caso alguém perceba que uma pessoa próxima está passando por um momento de sofrimento, uma das formas de ajudar é conversar com ela, demonstrar disponibilidade para ouvir e apresentar o CVV como uma possibilidade de acolhimento", nos conta a voluntária da Instituição.

Perguntei para Eliane como os suicídios são notificados no país e ela explicou que: "No Brasil, a notificação de tentativas de suicídio e autolesão é compulsória em até 24 horas e realizada por profissionais de saúde, por meio da ficha de violência interpessoal e autoprovocada. As secretarias municipais de saúde inserem os dados no SINAN (Sistema de Informação e Agravos de Notificação), contribuindo para dimensionar o problema, combater a subnotificação e embasar políticas públicas de prevenção e cuidado. Já a confirmação do suicídio é feita por laudos técnicos dos órgãos de perícia médico-legal e registrada na declaração de óbito", detalha.

Em uma época em que estamos permanentemente conectados, talvez precisemos voltar a aprender a estar verdadeiramente presentes. 

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