Maria Helena Válio é CEO da Woman Invest e organizadora do maior evento de mulheres investidoras do país
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Maria Helena Válio é CEO da Woman Invest e organizadora do maior evento de mulheres investidoras do país



Por muito tempo, as principais decisões financeiras das famílias estiveram associadas à figura masculina. As mulheres, mesmo quando participavam da construção do patrimônio, assumiam papel secundário na administração dos recursos e no planejamento do futuro. Essa dinâmica, porém, foi se transformando ao longo das últimas décadas e ampliação da presença feminina no mercado financeiro se tornou uma realidade e passou a integrar uma transformação mais ampla na relação das mulheres com o trabalho, a renda e a autonomia econômica.

A ampliação da participação das mulheres na economia e a busca por independência patrimonial revelam uma mudança que ultrapassa o universo das finanças por se tratar de uma transformação social. As mulheres mudaram a maneira como se relacionam com o dinheiro, a própria autonomia e as escolhas de vida.

É nesse contexto que o Women Invest Summit,   que vai para a quinta edição no dia  24 de setembro, em São Paulo, colocando a presença feminina no mercado financeiro e na gestão de patrimônios em evidência. Mais do que a realização de um evento voltado a investidoras, o movimento permite observar uma mudança de paradigma, onde mulheres de diferentes trajetórias profissionais e faixas etárias estão buscando conhecimento técnico para participar diretamente das decisões que envolvem o próprio patrimônio e futuro.

A fundadora e CEO da Women Invest, Maria Helena Válio, acompanha essa transformação há quatro décadas, quando iniciou sua trajetória no mercado financeiro. Segundo ela, a percepção de que as mulheres estavam assumindo maior protagonismo nas próprias decisões patrimoniais se tornou especialmente evidente a partir de 2019, quando criou a organização: "Naquele período, ficou evidente que as mulheres já não aceitavam mais ocupar um papel secundário nas decisões de investimento da família ou depender de terceiros para gerir seus recursos. Elas acumulavam patrimônio próprio, lideravam negócios e buscavam conhecimento técnico.”, conclui.

A afirmação de Maria Helena aponta para uma mudança na relação entre gênero, dinheiro e poder de decisão. A mulher que investe não é apenas uma profissional do setor financeiro, mas de qualquer setor da economia.

A busca por autonomia financeira não se limita à capacidade de acumular dinheiro. Ela envolve condições para fazer escolhas relacionadas à carreira, aos relacionamentos, à família e ao planejamento para toda uma vida. Nesse sentido, o interesse das mulheres por investimentos também se conecta a questões de longevidade e segurança patrimonial: "Percebi essa realidade com ainda mais força ao notar a motivação dessas mulheres: O olhar feminino para o dinheiro está profundamente conectado ao longo prazo, ao legado familiar e à longevidade", conta Maria Helena.

O avanço, entretanto, não significa que as barreiras tenham sido superadas. A participação feminina nas decisões financeiras ainda depende de acesso à informação, de ambientes que favoreçam a aprendizagem e de uma comunicação que não afaste quem não domina a linguagem técnica do setor. Para a executiva, um dos desafios centrais está na forma como as instituições financeiras se comunicam com o público feminino. Para ela: "Falta ao mercado financeiro adaptar a linguagem às necessidades da mulher investidora. O objetivo não é exigir que a mulher domine os jargões do setor, mas que as instituições aprendam a dialogar com ela."

O tema, agora, também alcança as novas gerações e se faz necessário ter iniciativas voltadas à educação financeira de jovens, demanda que surgiu a partir das percepções das investidoras da comunidade, que buscavam maneiras de preparar os filhos para lidar com dinheiro e construir um legado familiar. A proposta de Maria Helena é que a autonomia financeira seja entendida como uma ferramenta de liberdade, e não como uma obrigação de desempenho econômico. "Autonomia financeira não é um conceito abstrato. Na prática, é a chave para a liberdade de escolha na carreira, nos relacionamentos e no planejamento de vida . A mulher brasileira já entendeu a importância de poupar, mas o salto agora é investir com maturidade e sem vergonha de fazer perguntas”, aponta.

O que estará em debate no Women Invest Summit 2026

A quinta edição do Women Invest Summit acontece, essa semana, no Jockey Club de São Paulo, e a programação reúne mais de 50 horas de conteúdo com debates sobre investimentos, comportamento, família e sociedade. São esperadas mais de 1.500 mulheres e a programação inclui discussões sobre checagem de fatos e fake news, com participação das jornalistas Juliana Rosa, Pétria Chaves, Christiane Pelajo e Adriana Araújo. Estão previstos também temas relacionados à inteligência artificial, planejamento sucessório e transmissão de repertório financeiro para os filhos, além de participações de renomadas profissionais da área.

A narrativa principal desse encontro focará sobre a mulher que sempre soube de economia doméstica, mas está aprendendo a investir com coragem e consciência financeira. 

Women Invest Summit 2026

Data: 24 de setembro de 2026, quinta-feira

Horário: 8h às 19h30

Local: Jockey Club de São Paulo — Av. Lineu de Paula Machado, 1263, Cidade Jardim, São Paulo

Site: womeninvestsummit.com.br 

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