Paulo Jatobá - Fundador do CAD e Técnico da Seleção Brasileira Sub-23 de basquete em cadeira de rodas
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Paulo Jatobá - Fundador do CAD e Técnico da Seleção Brasileira Sub-23 de basquete em cadeira de rodas



A semana que marca duas importantes datas do calendário da inclusão e do esporte paralímpico — o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, em 21 de setembro, e o Dia Nacional do Atleta Paralímpico, celebrado em 22 de setembro —  chama atenção para uma iniciativa inclusiva que mantém atividades gratuitas, revela atletas para as seleções brasileiras e mostra, na prática, como o esporte pode ampliar autonomia e oportunidades para pessoas com deficiência.

Em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, o Clube Amigos dos Deficientes (CAD), uma Organização da Sociedde Civil (OSC), desenvolve, há mais de duas décadas, um trabalho que começa na inclusão e pode chegar ao alto rendimento. Fundada em 2004, a entidade oferece atividades gratuitas para pessoas com e sem deficiência e hoje reúne praticantes de diferentes modalidades, além de atletas que chegaram às seleções brasileiras.

A presença do CAD no cenário nacional ganhou novo destaque recentemente, quando dois atletas ligados à entidade, Alex Santos da Silva e Plínio Hugo Santos da Rocha Macedo, integraram a Seleção Brasileira masculina, que disputou o Mundial de Basquete em Cadeira de Rodas, realizado entre 9 e 19 de setembro, em Ottawa, no Canadá.

O CAD também está representado na Seleção Brasileira Sub-23 por Daniel Gusmão Pelicer, de 18 anos, além do fundador da OSC, Paulo Jatobá, que atua como técnico da categoria. Para Jatobá “Ter atletas nas seleções adulta e Sub-23 mostra até onde o esporte pode levar uma pessoa quando ela encontra oportunidade, estrutura e acompanhamento. O alto rendimento é um dos caminhos possíveis, mas o trabalho começa antes, no acesso à atividade física, na convivência e na construção da autonomia.”

A própria trajetória de Paulo Jatobá ajuda a explicar a filosofia do CAD. Ligado ao esporte desde a infância, ele sonhava em ser jogador de futebol, influenciado pelo pai, esportista e técnico em Santos. Aos 10 anos, porém, sofreu um acidente com arma de fogo e ficou paraplégico. Foi por meio da natação que retomou a relação com o esporte. Depois, conheceu o basquete em cadeira de rodas e decidiu buscar o alto rendimento.

Em 1992, recebeu sua primeira convocação para a Seleção Brasileira e disputou um Pan-Americano no México. Ao longo da carreira, participou de três Paralimpíadas, cinco Mundiais e seis Jogos Pan-Americanos, além de outras competições internacionais. Jatobá também esteve nas Paralimpíadas de Atenas, em 2004, e integrou a equipe brasileira que terminou os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, na quinta colocação — resultado que, segundo ele, representou até então a melhor campanha brasileira do basquete em cadeira de rodas em uma edição dos Jogos.

No CAD, nem todo participante chega com o objetivo de se tornar atleta. O trabalho começa com uma avaliação realizada por fisioterapeuta e assistente social. A partir das características e interesses de cada pessoa, são indicadas as atividades mais adequadas. A entidade atende crianças a partir dos cinco anos, jovens e adultos, inclusive moradores de outros municípios. Além do basquete em cadeira de rodas, o projeto reúne atualmente atletas do atletismo e trabalha para ampliar a atuação com o parabadminton. A estrutura conta com quadra própria, academia, sala de pilates e espaço multifuncional.

Também existem iniciativas abertas à comunidade, como o Projeto Inclusão Reversa, que promove atividades físicas para pessoas com e sem deficiência, e o Cuidando de Quem Cuida, que permite que pais e acompanhantes utilizem a academia e a sala de pilates enquanto os participantes realizam suas atividades. “Não trabalhamos com uma visão assistencialista. Procuramos oferecer ferramentas para que a pessoa conquiste autonomia, seja por meio do esporte, da educação, da empregabilidade ou da convivência social. Nem todos seguirão para o alto rendimento, mas todos podem encontrar no CAD uma possibilidade de desenvolvimento", explica o fundador.

Plínio Hugo Macedo e Alex Santos da Silva - Atletas da seleção brasileira de basquete em cadeira de rodas
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Plínio Hugo Macedo e Alex Santos da Silva - Atletas da seleção brasileira de basquete em cadeira de rodas


Plínio Hugo Santos da Rocha Macedo, atleta do CAD e integrante da Seleção Brasileira masculina de basquete em cadeira de rodas, conta que o contato com o esporte começou ainda na infância, quando sua mãe o levava para a natação. Aos 16 anos, conheceu o basquete e encontrou na modalidade uma nova possibilidade. Ele conta que enfrentou preconceito durante a vida escolar e o apoio da família, especialmente da mãe, foi fundamental para que pudesse seguir sua trajetória esportiva. “Nunca é tarde para começar. Ninguém deve permitir que o medo limite sua vontade ou seus sonhos. Espero que o esporte paralímpico ganhe cada vez mais visibilidade, para que as pessoas conheçam a rotina de um atleta e entendam quanto esforço, dedicação e disciplina existem por trás de um título", conta Plínio.

Outro nome da seleção brasileira é Irio Francisco Nunes. Natural de Recife, ele construiu uma carreira marcada por títulos nacionais e participações nas Paralimpíadas de Atenas e Pequim. No CAD, tornou-se tetracampeão brasileiro. Para Irio, o esporte também representou uma mudança na maneira como enxergava a própria capacidade: “Antes de conhecer o esporte, sofri preconceito. Foi dentro dele que consegui me libertar desse olhar e reconhecer minha própria capacidade.” Ele defende que pessoas com deficiência tenham acesso às oportunidades de inclusão e ao esporte adaptado, independentemente de seguirem ou não uma carreira de alto rendimento.

A estrutura mantida pelo CAD também ajuda a explicar como uma entidade voltada à inclusão pode se transformar em ponto de partida para atletas de elite. 

Um exemplo é Claudiney Batista, que iniciou no CAD, em 2007, sua trajetória no atletismo, nas provas de lançamento de disco, dardo e arremesso de peso. O atleta se tornou tricampeão paralímpico e tetracampeão mundial no lançamento de disco. Em 2025, conquistou o quarto título mundial consecutivo e estabeleceu o recorde da classe F56, com a marca de 45,67 metros.

Agora, com atletas nas seleções adulta e Sub-23, o CAD busca manter essa trajetória sem perder de vista sua missão inicial: oferecer acesso ao esporte e criar oportunidades para que cada pessoa desenvolva suas próprias capacidades. Oferecer atividades gratuitas, porém, tem um custo. Uma cadeira adaptada para a prática do basquete pode custar aproximadamente R$ 25 mil, sem contar despesas com manutenção, pneus, inscrições e viagens para competições.

Como o CAD não possui receita própria e mantém seus atendimentos gratuitamente, a continuidade das atividades depende de parcerias, projetos incentivados e recursos públicos. Nesse contexto, o apoio da Vetnil®, empresa brasileira do setor de saúde animal, contribui para a manutenção das atividades da entidade e para a criação de oportunidades esportivas. “Parcerias como essa ajudam o CAD a dar continuidade aos atendimentos e a criar oportunidades para que mais pessoas tenham acesso ao esporte. Esse apoio é importante tanto para quem busca qualidade de vida e autonomia quanto para os atletas que desejam chegar ao alto rendimento”, afirma Jatobá.

As histórias de Paulo, Plínio, Irio e dos demais atletas mostram que o esporte paralímpico pode pela decisão de experimentar uma nova atividade. É essa perspectiva que o CAD procura levar: “Nem todos precisam se tornar atletas de alto rendimento, mas todos podem encontrar uma atividade que contribua para sua saúde, independência e qualidade de vida”, resume Jatobá. 

Conheça mais pelo site: 

https://cadriopreto.com.br/

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