
O uso de remédios para emagrecimento já é um estouro nas redes sociais, impulsionado por influenciadores e celebridades que relatam resultados rápidos. Mas, segundo o Dr. José Afonso Sallet, o sucesso real do tratamento depende de uma abordagem muito mais ampla.
"Toda medicação tem uma indicação específica. Esses medicamentos são destinados ao tratamento da obesidade e de doenças metabólicas em perfis bem definidos. O uso estético e sem prescrição é perigoso e pode causar sérios prejuízos à saúde”, explicou o profissional à coluna.
O papel do médico e da equipe transdisciplinar
Medicamentos análogos aos hormônios GLP-1 e GIP, como os usados no tratamento da obesidade, agem diretamente sobre o apetite, a saciedade e o metabolismo. Apesar dos resultados expressivos, o médico reforça que a automedicação é formalmente contraindicada.
"Ainda não temos estudos de longo prazo. A medicina considera dez anos o tempo mínimo para avaliar efeitos colaterais. Por isso, o acompanhamento profissional é indispensável”, alerta.
Ele explica que o tratamento deve envolver médicos, nutricionistas, psicólogos e endocrinologistas. “A obesidade é uma doença crônica e multifatorial. O remédio é apenas uma ferramenta — o protagonista é o paciente, que precisa mudar hábitos e comportamento.”
Mudança de estilo de vida
A apresentadora Bruna Unzueta, conhecida como Boo, chamou atenção ao compartilhar o processo de emagrecimento que uniu medicação, dieta, atividade física e acompanhamento médico. Ela também revelou que enfrentava compulsão alimentar, condição que afeta cerca de 30% dos pacientes com obesidade grave.
"Pacientes com compulsão alimentar precisam de acompanhamento psicológico e psiquiátrico. A mente e o corpo precisam ser tratados juntos, especialmente quando o emagrecimento é parte de um processo de saúde e não apenas estético”, destaca o cirurgião.
Segundo ele, o uso de medicamentos é indicado para pacientes com sobrepeso importante (IMC entre 29 e 30) ou obesidade grau 1 e 2 sem indicação cirúrgica.
"Esses pacientes não precisam de cirurgia, mas também não conseguem bons resultados apenas com dieta e exercício. O tratamento pode ser eficaz, desde que feito com acompanhamento e dentro de um plano médico estruturado”, explica o Dr. Sallet.
O médico lembra que o uso é temporário: “Ninguém usa esse tipo de medicamento para sempre. O que sustenta os resultados é a mudança comportamental e o acompanhamento regular.”
Efeitos além da balança

Dr. José Afonso Sallet
Além de contribuir para o emagrecimento, o tratamento traz benefícios metabólicos. “Esses medicamentos ajudam a controlar a glicemia, reduzir a resistência à insulina e melhorar o colesterol. Os efeitos se assemelham aos observados após a cirurgia bariátrica, mas de forma menos invasiva”, detalha o especialista.
Para o Dr. Sallet, a medicina vive uma fase de evolução. “Estamos em uma nova era, com terapias mais seguras e eficazes. Mas o caminho continua sendo o mesmo: disciplina, acompanhamento e cuidado integral com o corpo e a mente.”
