Avanços no diagnóstico aumentam chances de cura do câncer de próstata
Canva
Avanços no diagnóstico aumentam chances de cura do câncer de próstata

O câncer de próstata é o tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros, representando cerca de 30% dos diagnósticos oncológicos masculinos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apesar da alta incidência, o diagnóstico precoce pode garantir índices de cura superiores a 90%, reforçando a importância da conscientização promovida pelo movimento Novembro Azul.

O Dr. Reinaldo Tsuneo Uemoto, cirurgião e urologista, destaca os principais avanços no diagnóstico e explica como o estilo de vida e a informação têm papel essencial na prevenção da doença.

"A suspeita diagnóstica de câncer de próstata é feita pelo exame de sangue PSA e pelo toque retal. Quando há suspeita, realizamos hoje a ressonância magnética multiparamétrica, que identifica áreas suspeitas com muito mais nitidez”, explico o médico à coluna.

Segundo o especialista, a introdução da ressonância magnética reduziu significativamente o número de biópsias desnecessárias. Quando o exame é necessário, ele é realizado por ultrassom com software de fusão de imagens, que sobrepõe a imagem da ressonância à ultrassonográfica, permitindo maior precisão na coleta dos fragmentos.

Outro avanço importante é o PET-CT com PSMA, uma tomografia que utiliza um radioisótopo marcador específico para o câncer de próstata.

"Com esse exame, conseguimos identificar se o tumor está restrito à próstata ou se há metástases ósseas ou à distância, o que direciona melhor o tratamento”, detalha o Dr. Reinaldo.

Genética e vigilância ativa: a nova fronteira do cuidado

A medicina de precisão também trouxe avanços no entendimento da doença.

"Nem todos os cânceres de próstata são iguais. Hoje realizamos testes de mutação do DNA tumoral a partir dos fragmentos da biópsia, como o Decipher e o Prolaris, que ajudam a prever a agressividade e orientar a conduta médica”, explica.

Nos casos de tumores de baixo risco, a conduta pode ser menos invasiva.

"Pacientes com câncer prostático indolente podem ser acompanhados em vigilância ativa, com PSA trimestral, ressonância magnética e biópsias periódicas. Cerca de 35 a 40% desses pacientes não desenvolverão a doença ao longo da vida, evitando tratamentos desnecessários”, afirma o especialista.

Informação e combate ao preconceito

Mesmo com tantos avanços, o preconceito ainda é uma barreira.

"Diferente das mulheres, que vão ao ginecologista desde cedo, muitos homens só procuram o médico quando há sintomas. Apenas 30% dos homens acima de 40 anos fazem consultas preventivas”, lamenta o Dr. Reinaldo.

Para ele, a educação em saúde é a principal ferramenta de mudança.

"Falar sobre o tema nas escolas e nos meios de comunicação é essencial para eliminar o estigma e incentivar o cuidado preventivo”, acrescenta.

Prevenção e estilo de vida saudável

"Um estilo de vida saudável é fundamental para reduzir o risco da doença”, reforça o urologista.

Ele recomenda alimentação rica em verduras, legumes, proteínas magras e pouca gordura animal, além da prática regular de exercícios físicos. O sedentarismo, a obesidade e o excesso de álcool aumentam as chances de desenvolver o câncer, enquanto o tabagismo, embora não eleve a incidência, está associado a tumores mais agressivos.

"Homens com histórico familiar de câncer de próstata ou de mama e homens negros devem iniciar o rastreamento aos 45 anos, pois têm 30% mais risco de desenvolver a doença”, alerta o médico.

Conscientização contínua

O movimento Novembro Azul, criado nos anos 90, foi decisivo para ampliar o debate sobre a saúde do homem.

undefined
Canva

Dr. Reinaldo Tsuneo Uemoto.

"A campanha ajudou a quebrar tabus e estimulou o diagnóstico precoce, que garante cura em mais de 90% dos casos, mas a conscientização deve ocorrer durante todo o ano — com o apoio da mídia, das escolas e dos profissionais de saúde”, conclui o Dr. Reinaldo Tsuneo Uemoto.

    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!
    Mais Recentes