
O desejo sexual é influenciado por uma combinação de fatores biológicos, emocionais e sociais. Segundo pesquisas recentes, a saúde mental tem um peso muito maior do que se imaginava. Um estudo da World Association for Sexual Health mostra que 52% das pessoas já tiveram queda de libido relacionada ao estresse, enquanto dados publicados no Journal of Sexual Medicine revelam que ansiedade e depressão estão entre as principais causas de disfunções sexuais em homens e mulheres.
Para a psicanalista Andréa Ladislau, essa relação é nítida no consultório. Baixa autoestima, culpa, crenças limitantes, ansiedade, estresse, dificuldades financeiras, problemas de relacionamento e até o medo de não corresponder às expectativas estão entre os fatores que mais interferem no desejo. “O foco precisa estar no momento presente. Quando a mente está cheia de alertas e gatilhos emocionais, o corpo não responde”, explicou à coluna.
Apesar de ser um tema natural, ainda existe grande resistência em falar sobre prazer. Pesquisa do Kinsey Institute mostra que 43% das pessoas evitam discutir sobre desejo sexual por vergonha ou medo de julgamento, perpetuando tabus que dificultam a busca por ajuda. Para a especialista, isso é um erro: “Desejo, prazer e sexualidade são emoções humanas como qualquer outra. Precisam ser expressas sem culpa”.
A rotina intensa também tem impacto significativo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o estresse é responsável por até 40% das queixas de perda de libido. O excesso de cortisol e adrenalina diminui o desejo, reduz a criatividade e compromete a conexão com o parceiro. Para reverter, a psicanalista recomenda desacelerar e resgatar o autocuidado. “Tocar o próprio corpo, explorar zonas erógenas e permitir-se sentir prazer é uma prática simples e poderosa.”
Diferenciar causas emocionais de causas físicas é essencial.
Questões orgânicas como doenças crônicas ou alterações hormonais, exigem avaliação médica, enquanto fatores psicológicos envolvem inseguranças, traumas, vergonha do corpo e medo do desempenho. “Um influencia o outro. Identificar a raiz é o primeiro passo para recuperar o equilíbrio”, afirma.
A busca por performance perfeita também prejudica o prazer: pesquisas da American Psychological Association apontam que 64% dos jovens adultos sentem pressão para “performar” sexualmente, o que aumenta a ansiedade e, paradoxalmente, reduz o desejo. “Se cobrar o tempo todo anula a naturalidade, que é a base da intimidade saudável”, diz a psicanalista.

Dra. Andréa Ladislau
Outro ponto de atenção é o uso excessivo de pornografia ou estimulantes. Estudos do National Institute of Health mostram que o consumo compulsivo de pornografia pode alterar a percepção de estímulos reais e prejudicar relações afetivas. Segundo a especialista, isso mascara fragilidades emocionais importantes. “É mais fácil buscar o irreal do que encarar inseguranças não resolvidas.”
Em um cenário em que tudo é rápido, equilibrar espontaneidade e conexão exige consciência emocional, diálogo e menos autocrítica. “A intimidade começa dentro de si. Quando há empatia, comunicação clara e zero julgamentos, o desejo encontra espaço para florescer”, conclui a Dra. Andréa Ladislau.
