Seis mitos sobre engravidar que ainda confundem muitas mulheres
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Seis mitos sobre engravidar que ainda confundem muitas mulheres

A ansiedade para engravidar faz muitas mulheres recorrerem a conselhos populares ou informações sem comprovação científica. Porém, segundo especialistas, o ponto mais importante é avaliar a capacidade reprodutiva com acompanhamento médico adequado, especialmente porque a infertilidade, classificada como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta 1 em cada 6 pessoas em idade reprodutiva.

A infertilidade é considerada quando o casal tenta engravidar por pelo menos um ano, mantendo relações regulares sem métodos contraceptivos. Ela pode ser primária, quando nunca houve gestação, ou secundária, quando já existiu gravidez anterior. Os números mostram a dimensão do problema: segundo a Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), 35% dos casos estão ligados à mulher, 35% ao homem, 20% a ambos e 10% não têm causa identificada.

Para o especialista em reprodução humana Dr. Marcelo Marinho, da Fertipraxis – Centro de Reprodução Humana, é essencial desfazer mitos para evitar atrasos no diagnóstico. “A infertilidade é um problema de saúde pública. Além de afetar a saúde física, ela impacta a saúde mental, a vida profissional e a qualidade de vida do casal”, afirmou à coluna.

A seguir, o médico esclarece os seis mitos mais comuns:

1. Levantar as pernas após a relação ajuda o espermatozoide a chegar mais rápido

Não ajuda. “É uma crença popular sem qualquer respaldo científico”, explica o Dr. Marinho.

2. Chá de amora aumenta a fertilidade

Embora a amora seja rica em nutrientes e antioxidantes, não há evidência científica de que o chá aumente as chances de engravidar. Alimentação saudável contribui para o bem-estar geral, mas não substitui avaliações médicas.

3. Tomar anticoncepcional por muito tempo causa infertilidade

Mito. Nenhum método anticoncepcional — pílula, DIU, implante, injeções ou diafragma — causa infertilidade.

Segundo o especialista, as verdadeiras causas incluem alterações hormonais, genéticas, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, varicocele, uso de drogas, tabagismo, álcool e algumas infecções.

4. A idade só impacta depois dos 40

A fertilidade feminina declina após os 35 anos.
Mulheres entre 35 e 37 devem investigar infertilidade após seis meses de tentativas; a partir dos 38 anos, a investigação deve ser imediata.

5. Quem já teve um filho sempre consegue engravidar novamente

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Dr. Marcelo Marinho

Nem sempre. Mesmo após uma gestação bem-sucedida, fatores como idade e redução da reserva ovariana podem dificultar uma nova gravidez. Óvulos mais velhos têm menor qualidade e maior risco de alterações cromossômicas e abortamento.

6. Infertilidade é sempre um problema da mulher

Apesar de culturalmente associado ao feminino, o fator masculino responde por 35% dos casos. A avaliação deve ser conjunta desde o início.

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