Desidratação no Natal merece atenção à saúde
I.A
Desidratação no Natal merece atenção à saúde

Durante o Natal, a desidratação costuma passar despercebida, mesmo em meio à grande oferta de bebidas. Isso acontece porque a maioria dos líquidos consumidos nas confraternizações não hidrata de forma eficaz. Refrigerantes, sucos industrializados e, principalmente, bebidas alcoólicas não substituem a água. No caso do álcool, o efeito é inverso: ele aumenta a perda de líquidos pelo organismo.

Segundo a nutricionista do Hospital Mantevida,  Taynara Abreu,  o álcool tem ação diurética, favorecendo a eliminação de água e eletrólitos. Além disso, a distração das confraternizações, a quebra da rotina e a menor percepção da sede fazem com que muitas pessoas passem horas sem ingerir água adequadamente, mesmo em dias quentes ou com maior consumo alimentar.

Do ponto de vista médico, a desidratação é um dos fatores mais frequentes associados a atendimentos de emergência durante o Natal e o Ano Novo. Estudos clínicos e dados observacionais apontam aumento de queixas como tontura, queda de pressão, mal-estar, palpitações e confusão mental nesse período, especialmente em ambientes com calor intenso e consumo de álcool.

Especialistas em clínica médica, cardiologia e nefrologia alertam que a combinação entre álcool, calor e longos períodos sem ingestão de água é particularmente perigosa.

O álcool aumenta a diurese, o calor intensifica a perda de líquidos pelo suor e a falta de reposição hídrica compromete a circulação sanguínea, a função renal e o equilíbrio da pressão arterial. Pesquisas recentes indicam que perdas hídricas superiores a 1,5% do peso corporal já são suficientes para impactar negativamente o desempenho cardiovascular e cognitivo, sobretudo em idosos.

Quando a desidratação começa a afetar o funcionamento do corpo, alguns sinais costumam surgir e não devem ser ignorados. Boca e lábios secos, urina escura e em pequena quantidade, dor de cabeça frequente, tontura, fraqueza, cansaço excessivo, palpitações e dificuldade de concentração indicam que o organismo já está em desequilíbrio. Em quadros mais avançados, podem ocorrer queda de pressão arterial, arritmias e desmaios, exigindo avaliação médica imediata.

Alguns grupos apresentam risco maior durante as festas de fim de ano. Idosos tendem a sentir menos sede e perdem líquidos com mais facilidade. Crianças dependem da oferta ativa de líquidos. Pessoas que consomem álcool com frequência, indivíduos com doenças crônicas como hipertensão, diabetes ou doenças renais, além de quem faz uso de diuréticos ou medicamentos que aumentam a perda hídrica, podem desenvolver desidratação de forma mais rápida e com consequências mais graves.

Apesar dos riscos, a prevenção é simples. Para Taynara Abreu, manter uma rotina básica de hidratação faz grande diferença. Intercalar bebidas alcoólicas com água, beber líquidos ao longo do dia e manter uma garrafinha por perto durante as confraternizações ajudam a preservar o equilíbrio hídrico, reduzem os efeitos do álcool e permitem aproveitar o Natal com mais bem-estar.

A desidratação no Natal é silenciosa, mas real. Com pequenas atitudes de cuidado, é possível celebrar sem comprometer o funcionamento do corpo e iniciar o novo ano com mais saúde.

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