Médico explica que análogos do GLP-1 só funcionam com alimentação estratégica, exercícios e plano nutricional contínuo
I.A
Médico explica que análogos do GLP-1 só funcionam com alimentação estratégica, exercícios e plano nutricional contínuo

Com o uso crescente das canetas emagrecedoras no Brasil como Mounjaro e Ozempic, também aumentam as discussões sobre os limites e responsabilidades desse tipo de tratamento.

Embora os análogos do GLP-1 tenham ganhado respaldo internacional, como o recente reconhecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) para uso em adultos com obesidade, especialistas reforçam que o medicamento não funciona sozinho. A diretriz da OMS destaca que o tratamento deve ser acompanhado de dieta adequada, atividade física e acompanhamento profissional contínuo.

Para o médico Danilo Almeida, pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN e fundador da Clínica Versio, o principal pilar continua sendo a alimentação estratégica. “A caneta é uma ferramenta importante, mas o verdadeiro tratamento começa na alimentação e no comportamento. Sem uma dieta adequada, o emagrecimento não se sustenta a longo prazo”, afirma.

A preocupação é reforçada pelos dados da World Obesity Federation, que apontam que um em cada três brasileiros vive com obesidade. Para o médico, isso evidencia a necessidade de abordagens mais completas e individualizadas.

“O erro mais comum é achar que a caneta substitui a dieta. Na prática, ela apenas reduz o apetite. Se o paciente não sabe o que comer, quando comer e como nutrir o corpo, o risco de efeitos colaterais e de perda de massa muscular aumenta”, explica.

Caneta reduz o apetite, mas não corrige a alimentação

Os análogos do GLP-1 atuam diretamente no controle da fome e da saciedade, o que facilita a redução da ingestão calórica. Porém, o médico alerta que isso pode levar a um efeito colateral comum: comer menos sem qualidade nutricional.

“Muitos pacientes podem esquecer de se alimentar pela falta de apetite, ou comem pequenas porções, priorizando alimentos rápidos e pobres em proteína e nutrientes”, diz Danilo.

Segundo ele, usar apenas a caneta significa tratar o sintoma fome sem abordar as causas biológicas, comportamentais e metabólicas do ganho de peso. “Isso aumenta a estagnação, a perda de massa magra, os efeitos gastrointestinais, as deficiências nutricionais e até um possível reganho de peso quando a medicação é suspensa.”

Atividade física, composição alimentar e rotina de refeições são fatores decisivos para que o resultado seja sustentável. “Mesmo que a pessoa perca peso, sem ajustar alimentação e exercício, dificilmente ela vai manter.”

O que não pode faltar na dieta de quem usa caneta emagrecedora

O Dr. Danilo reforça que a dieta ideal precisa ser estruturada, anti-inflamatória e personalizada, respeitando o metabolismo de cada paciente. Ainda assim, alguns pilares são indispensáveis:

  • Proteínas de alta qualidade – ovos, peixes, frango, carnes magras, iogurte natural e leguminosas.
  • Gorduras boas – azeite, abacate, sementes e oleaginosas, essenciais para saciedade e equilíbrio hormonal.
  • Carboidratos de baixo impacto glicêmico – legumes, verduras e grãos integrais, com frutas em moderação.
  • Fibras alimentares – fundamentais para a saúde intestinal e para reduzir efeitos gastrointestinais do GLP-1.
  • Hidratação adequada – indispensável para o funcionamento geral do corpo e para potencializar o efeito das fibras.

“A caneta fará com que a fome diminua, por isso cada refeição precisa ser rica em nutrientes, com alimentos de qualidade e escolhas inteligentes”, reforça o médico.

Segundo ele, o erro mais comum é focar no emagrecimento rápido e ignorar a saúde metabólica. “Sem uma dieta bem feita, o paciente pode até emagrecer, mas não melhora sua saúde. Em muitos casos, quando se suspende a caneta, o peso volta rapidamente.

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