
Entre tantas siglas da área da saúde, uma delas costuma causar dúvidas recorrentes nos consultórios: o IMC, Índice de Massa Corpórea. A fórmula que relaciona peso e altura parece simples, mas seus resultados ajudam a orientar condutas médicas importantes do ajuste no estilo de vida até indicações de tratamentos clínicos ou cirúrgicos.
Para esclarecer o que realmente está por trás desses números, o especialista em obesidade e doenças metabólicas do Instituto de Medicina Sallet, Dr. José Afonso Sallet detalha os diferentes perfis de IMC e como cada faixa influencia o cuidado adequado.
Muito além da balança: o que o excesso de peso revela hoje
O especialista destaca que o aumento da obesidade é multifatorial, mas o estilo de vida atual exerce forte influência.
“Com a tecnologia avançando e a rotina cada vez mais sedentária, cresce o número de pessoas com sobrepeso. Claro que fatores genéticos interferem, mas hábitos alimentares e comportamentais têm papel decisivo no cenário de obesidade que observamos atualmente”, explica Sallet.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade corresponde ao acúmulo excessivo de gordura corporal e está associada a doenças como hipertensão, diabetes, apneia do sono, problemas articulares, cálculos na vesícula e até alguns tipos de câncer.
IMC: como interpretar os números
A classificação tradicional auxilia no primeiro diagnóstico:
- Abaixo de 18,5 — abaixo do peso
- 18,5 a 24,9 — peso considerado normal
- 25 a 29,9 — sobrepeso
- 30 ou mais — obesidade
A partir daí, o olhar clínico faz toda a diferença.
Exemplos práticos de conduta médica
IMC 28 — Sobrepeso - Nesse caso, ainda não se trata de obesidade grau 1. A conduta mais indicada inclui:
- mudanças comportamentais estruturadas;
- acompanhamento nutricional;
- prática regular de atividade física ao menos três vezes por semana.
“O uso de medicação pode ser recomendado de acordo com a avaliação e o perfil de cada paciente”, acrescenta o especialista.
IMC 39 — Obesidade importante - Nessa faixa, é essencial investigar doenças associadas como hipertensão, diabetes, apneia do sono e dislipidemias. Dr. Sallet destaca que há caminhos intermediários antes de uma cirurgia:
- balão intragástrico;
- gastroplastia endoscópica;
- associação ou não com medicamentos injetáveis (“canetas emagrecedoras”), conforme indicação médica.
IMC 44 — Obesidade grave - O tratamento mais efetivo costuma ser cirúrgico, com técnicas consagradas que promovem:
- perda de 25% a 30% do peso em 1 a 2 anos;
- manutenção dos resultados a longo prazo com acompanhamento adequado.
Avaliação especializada: etapa indispensável
O especialista reforça que o IMC isolado não é suficiente para determinar o tratamento. “O simples cálculo não deve levar o paciente a se automedicar ou definir por conta própria sua estratégia. A análise integral feita pelo especialista é fundamental para estabelecer metas realistas, escolher a melhor abordagem e ajustar o tratamento ao longo do processo”, alerta Sallet.
