
Um estudo publicado em 2025 no Cell Host & Microbe revelou que alterações na microbiota intestinal podem explicar até 30% das variações nos níveis de ansiedade.
As descobertas reforçam a importância da alimentação e da diversidade microbiana na regulação emocional. Para entender como isso aparece no dia a dia, a nutricionista Simone Ferreira detalha como essa relação se manifesta nos pacientes e quais hábitos ajudam a fortalecer o intestino.
Segundo Simone, os efeitos da disbiose costumam ser nítidos no consultório. Ela relata que pacientes com desequilíbrio intestinal chegam mais irritados, com pele seca, acne, retenção hídrica, dificuldade de emagrecer e carência de nutrientes, sinais que muitas vezes estão ligados à saúde emocional.
O estudo aponta que cepas de Lactobacillus e Bifidobacterium reduzem a produção de cortisol, hormônio relacionado ao estresse. Para estimular naturalmente essas bactérias, Simone recomenda aumentar o consumo de alimentos de verdade, reduzir ultraprocessados, tratar disbiose quando presente e diversificar o prato no dia a dia.
Uma alimentação pobre em fibras e rica em ultraprocessados pode intensificar quadros de ansiedade. “Ultraprocessados aumentam e muito a ansiedade, porque alteram a microbiota intestinal”, explica a nutricionista. A ciência reforça que aditivos, excesso de açúcar e gorduras artificiais prejudicam bactérias benéficas e favorecem processos inflamatórios.
No âmbito da suplementação, fibras fermentáveis como inulina e psyllium podem apoiar o controle da ansiedade ao estimular a produção de butirato, ácido graxo fundamental para o cérebro. “Uso muito o psyllium. Ele ajuda a controlar a fome e melhora a microbiota, o que reflete também no humor dos pacientes”, destaca Simone.
Para modular neurotransmissores como serotonina, dopamina e GABA, que fazem parte do eixo intestino-cérebro, Simone reforça que não existe um alimento único capaz de transformar o humor: “É um conjunto de hábitos. Incluo fontes de triptofano no dia a dia dos pacientes, como cacau, banana, aveia, castanhas e grão-de-bico.”
A nutricionista orienta ainda que um prato ideal para favorecer a diversidade microbiana deve ter pelo menos cinco cores, incluindo frutas ricas em vitamina C e uma fonte de gordura boa, como azeite, abacate ou nozes. “Isso amplia o aporte de fibras, vitaminas e antioxidantes e evita a monotonia alimentar”, explica.
O estudo reforça o que especialistas e pesquisas recentes já indicam: cuidar do intestino é cuidar da saúde mental. E pequenas mudanças — mais fibras, menos ultraprocessados, variedade e constância — podem impactar diretamente o humor e a qualidade de vida.
