
A saúde intestinal tornou-se um dos temas mais discutidos quando falamos de bem-estar, prevenção e qualidade de vida. Estudos recentes mostram que o funcionamento do trato gastrointestinal está diretamente ligado ao equilíbrio hormonal, ao sistema imunológico, ao humor e até ao desempenho cognitivo. Não por acaso, o intestino passou a ser conhecido como “segundo cérebro”, já que influencia diretamente outros órgãos e sistemas do corpo.
Os problemas digestivos mais comuns hoje — como refluxo, síndrome do intestino irritável, constipação e a própria obesidade — refletem um estilo de vida acelerado, alimentação industrializada, rotina estressante e falta de práticas preventivas consistentes. Ao mesmo tempo, avanços tecnológicos e a ampliação das abordagens integrativas têm mudado a forma como médicos cuidam da saúde digestiva.
Para aprofundar essa discussão, ouvimos a Dra. Elaine Moreira, especialista em gastroenterologia, endoscopia digestiva e medicina integrativa, que há 25 anos atua diretamente no diagnóstico, prevenção e tratamento das doenças do aparelho digestivo. Ela explica que a obesidade é hoje o principal fator de risco para diversas patologias e destaca a importância de olhar para o paciente como um todo — corpo, mente e contexto social.
Segundo a médica, muitos pacientes chegam ao consultório com dúvidas e conceitos equivocados, sendo o principal deles a “gastrite nervosa”. Ela reforça que o termo não existe e que somente a endoscopia com biópsia confirma gastrite; casos sem esse exame devem ser classificados como dispepsia (má digestão). Outro mito recorrente é acreditar que refrigerante ou sal de frutas aliviam o desconforto. “Muito pelo contrário, eles podem piorar”, explica.
Quando o assunto é prevenção, a Dra. Elaine destaca pilares essenciais: controle de peso, regularidade de atividade física, alimentação com menos industrializados, embutidos e frituras, além da incorporação de práticas integrativas como meditação, respiração consciente, yoga, massagens e acupuntura, que contribuem para o equilíbrio do organismo.
Ao falar sobre orientação, a especialista reforça que nenhum tratamento deve ser iniciado sem avaliação adequada. Para ela, a boa relação médico-paciente é decisiva para resultados sustentáveis: informação correta, confiança e acompanhamento contínuo ajudam o paciente a compreender seu corpo e manter hábitos saudáveis a longo prazo.
Fonte – Dra. Elaine Moreira
Médica formada há 25 anos, com residência em clínica médica, gastroenterologia e endoscopia digestiva. Possui pós-graduação em medicina integrativa e atua principalmente no tratamento da obesidade, endoscopia bariátrica (como o balão gástrico) e saúde intestinal. Defende uma visão integrada do paciente e o uso responsável de avanços como GLP-1 e IA em colonoscopia.
