Anestesiologia moderna reforça segurança e novos padrões de cuidado
Acervo pessoal
Anestesiologia moderna reforça segurança e novos padrões de cuidado

A anestesiologia avança rapidamente no Brasil e ganha cada vez mais protagonismo na experiência cirúrgica do paciente. Longe de atuar apenas no momento da operação, o anestesiologista hoje integra todas as etapas do cuidado, da consulta pré-anestésica ao pós-operatório, garantindo segurança, conforto e previsibilidade. Para especialistas, a informação correta e a comunicação transparente são tão importantes quanto a técnica.

Natural de Marialva (PR) e formado em Medicina em Maringá,  Dr. Heitor Polessi explica que sua relação com a especialidade começou ainda na faculdade. “Apaixonei-me pela anestesia na teoria. A possibilidade de levar conforto onde existe dor sempre me fascinou”, afirma. Sua formação inclui residência em Anestesiologia no HONPAR, centro de referência em cirurgias oncológicas e cardíacas, experiência que consolidou sua atuação em diferentes cenários cirúrgicos.

Hoje, o médico atua tanto na anestesiologia cirúrgica quanto na anestesia aplicada a procedimentos estéticos e à cosmiatria, áreas que vêm crescendo no país. Ele também participa da formação de outros profissionais, ministrando cursos para aprimorar técnicas de anestesia e analgesia voltadas à realização de procedimentos sem dor. “O objetivo é democratizar anestesia de qualidade e entregar ao paciente a melhor experiência possível”, destaca.

Jejum, comunicação e segurança

Entre os desafios mais frequentes da prática, Polessi aponta o desrespeito ao jejum pré-operatório. “É comum encontrar pacientes que comem ou bebem antes da cirurgia e não informam a equipe. Isso aumenta o risco de broncoaspiração durante a anestesia”, alerta. O problema também aparece na pediatria, quando responsáveis omitem informações por medo de cancelamento do procedimento.

Outro ponto crítico é a falta de clareza sobre doenças, hábitos e medicações em uso. Para o anestesiologista, a comunicação é uma das principais ferramentas de segurança. “Qualquer informação omitida interfere diretamente na condução anestésica. Transparência é fundamental.”

Mitos ainda persistem

Apesar dos avanços, a anestesia ainda é cercada de mitos. O medo de não acordar, de ter complicações irreversíveis ou de ficar paraplégico após uma raquianestesia é comum e, na maioria das vezes, infundado. “Quando o paciente entende o que será feito, ele vai mais tranquilo para a cirurgia, reduz ansiedade e melhora a recuperação. Informação transforma a experiência”, explica.

Saúde mental dos médicos também importa

A anestesiologia é uma das especialidades com maior risco ocupacional, marcada por alta pressão, carga horária intensa e contato frequente com medicações controladas. Estudos apontam taxas elevadas de estresse, depressão e burnout entre anestesiologistas. Polessi reforça a necessidade de programas institucionais de apoio e de políticas que preservem a saúde mental desses profissionais. “Para cuidar bem do paciente, o anestesista também precisa estar bem.”

Avanços que mudaram a prática

A evolução dos anestésicos, das agulhas de raquianestesia e da monitorização de alta precisão transformou a especialidade. Mas, segundo o médico, o maior salto recente veio do uso do ultrassom. “Ele revolucionou os bloqueios anestésicos, aumentando precisão, conforto e segurança. Hoje é ferramenta indispensável.”

Além disso, equipamentos modernos permitem monitorização mais detalhada, controlando de forma mais eficaz profundidade anestésica, hemodinâmica e resposta neuromuscular.

Consulta pré-anestésica: etapa essencial

O anestesiologista reforça que o cuidado começa antes do procedimento. A consulta pré-anestésica, ainda pouco valorizada no Brasil, é determinante para entender o histórico do paciente, orientar sobre jejum e ajustar expectativas. “Ter um anestesista de confiança, assim como se tem um cirurgião, reduz complicações e melhora a experiência de forma significativa.”

Escolha do profissional

Para quem busca um anestesiologista qualificado, Polessi é direto: verificar o RQE — Registro de Qualificação de Especialista — é o primeiro passo. “A anestesiologia exige residência médica formal de três anos. A escolha não deve ser baseada em número de seguidores ou promessas milagrosas, mas em formação, ética e experiência.”

Ele reforça que informação, pesquisa e boas referências continuam sendo os caminhos mais seguros para um atendimento responsável.

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