Falta de potássio pode ser um risco para o coração?
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Falta de potássio pode ser um risco para o coração?

A deficiência de potássio, conhecida como hipocalemia, é frequentemente subestimada, mas pode representar perigo real quando seus níveis caem de forma rápida ou acentuada. O mineral é fundamental para conduzir os impulsos elétricos que mantêm o coração batendo de forma regular. Quando essa estabilidade é perdida, surgem alterações que vão de sintomas leves a arritmias potencialmente fatais.

Dados do Manual MSD, um dos principais guias médicos do mundo, mostram que valores abaixo de 3,0 mEq/L já elevam o risco de alterações no ritmo cardíaco. Em níveis inferiores a 2,5 mEq/L, as chances de arritmias graves, incluindo risco de parada cardíaca, aumentam de forma significativa. O American Heart Association também reforça que quedas bruscas, mesmo sem atingir números tão baixos, podem gerar instabilidade elétrica cardíaca em pessoas sensíveis.

Para entender quando o problema deixa de ser inofensivo e passa a oferecer risco cardiovascular real, o cardiologista Dr. Vagner Vinicius Ferreira, do Hospital Mantevida, explica os sinais de alerta e por que alguns pacientes precisam de atenção redobrada.

Quando a falta de potássio deixa de ser leve e vira risco cardiovascular?

Dr. Vagner destaca que pequenas quedas costumam ser assintomáticas, mas abaixo de certos limites o perigo cresce exponencialmente.

“Níveis abaixo de 3,0 mEq/L já justificam atenção, pois começam a surgir alterações na eletricidade cardíaca. Abaixo de 2,5 mEq/L, o risco de arritmias graves é real, especialmente se a queda ocorrer de forma rápida”, explica.

Ele reforça que a maneira como o potássio cai, gradualmente ou de uma só vez, pode ser tão importante quanto o valor numérico.

Quais sintomas indicam que a hipocalemia já está afetando o coração?

A hipocalemia leve pode não apresentar sinais, mas quando o coração é afetado, o corpo envia alertas claros. Segundo o especialista, os principais sintomas que exigem avaliação imediata são:

  • sensação de batimentos acelerados, irregulares ou “falhando”;
  • tontura ou sensação de desmaio;
  • fraqueza intensa;
  • falta de ar súbita;
  • episódios de desmaio ou quase desmaio.

“Esses sintomas mostram que a parte elétrica do coração já perdeu estabilidade. É uma situação que não deve ser ignorada, especialmente em pessoas com fatores de risco”, afirma o cardiologista.

Por que quem já tem doença cardíaca corre risco maior com pequenas quedas?

Para Dr. Vagner, esse é o ponto mais sensível do tema. Pacientes com histórico cardiovascular, infarto, insuficiência cardíaca, arritmias prévias, têm um coração mais vulnerável a qualquer oscilação do potássio.

Três fatores explicam essa sensibilidade:

  1. Uso de diuréticos: Muitos desses pacientes utilizam diuréticos, medicamentos que podem reduzir o potássio no sangue.
  2. Coração mais suscetível: Áreas do músculo cardíaco fragilizadas tornam o órgão menos tolerante a alterações elétricas.
  3. Pequenas variações geram impacto: Mesmo quedas discretas, que não causariam sintomas em pessoas saudáveis, podem desencadear arritmias importantes.

“Em quem já tem doença cardíaca, não existe ‘queda leve’ de potássio. Todo desequilíbrio precisa ser monitorado”, completa.

A mensagem principal

A hipocalemia pode parecer um problema simples, mas não deve ser negligenciada. Em pessoas saudáveis: muitas vezes passa despercebida. Em quem já tem histórico cardíaco pode ser perigosa, mesmo em níveis considerados moderadamente baixos.

O acompanhamento médico, incluindo exames periódicos e atenção ao uso de medicamentos que interferem nos eletrólitos, é essencial para prevenir complicações.

“O potássio é um dos principais reguladores do ritmo cardíaco. Controlá-lo bem é proteger o coração”, conclui o Dr. Vagner Vinicius Ferreira.

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