
No mês dedicado à valorização das mulheres, uma instituição brasileira chama atenção por unir ciência, gestão e impacto social sob liderança feminina. O Pro Criança Cardíaca, referência no atendimento gratuito a crianças com cardiopatias congênitas em situação de vulnerabilidade, completa 30 anos em 2026 com uma marca significativa: a presença majoritária de mulheres em posições estratégicas da organização.
Hoje, 76% da equipe da instituição é formada por mulheres, somando 35 profissionais em um quadro total de 46 colaboradores. Médicas, gestoras, profissionais da área assistencial e administrativa atuam em conjunto em um modelo que combina excelência técnica com compromisso social.
Fundado há quase três décadas pela cardiologista pediátrica Rosa Celia Pimentel Barbosa, o projeto nasceu como resposta à escassez de atendimento especializado para crianças com doenças cardíacas sem acesso a tratamentos de alta complexidade.
Desde então, a instituição já realizou mais de 130 mil atendimentos, acompanhou mais de 16 mil pacientes e impactou diretamente mais de 65 mil pessoas, números que evidenciam o papel do Terceiro Setor na ampliação do acesso à saúde especializada no Brasil.
Reconhecida nacional e internacionalmente, a organização está pela quinta vez consecutiva entre as Melhores ONGs do Brasil e também figura entre as 75 organizações sociais mais relevantes do mundo, segundo o ranking thedotgood.
A médica que transformou vocação em missão
Graduada pela UFRJ, com especialização em cardiologia pediátrica pelo National Heart Hospital, em Londres, e experiência em centros internacionais como o Texas Children’s Hospital, em Houston, e o Children’s Hospital Medical Center, em Boston, Rosa Celia construiu uma carreira de destaque antes de consolidar sua atuação no Brasil.
Em 1996, decidiu transformar conhecimento técnico em compromisso social ao fundar o Pro Criança Cardíaca. Além de presidir a instituição, ela também idealizou o Hospital Pediátrico Jutta Batista e dirige a Clínica Cardiológica Infantil.
“Cuidar da criança cardíaca carente nunca foi apenas um ato médico. É um compromisso com a vida e com o futuro”, afirma.
Gestão com experiência e vivência pessoal
Ao lado da fundadora está Bruna Pugliese, diretora executiva da instituição.
Sua conexão com a causa também é pessoal. Mãe de dois filhos, ela enfrentou o diagnóstico pré-natal de cardiopatia congênita de seu filho João Vicente, que precisou passar por cirurgia cardíaca aos sete meses de vida.
“A cardiopatia congênita vai além de um diagnóstico técnico. Ela atravessa famílias e muitas vezes encontra nas mulheres a força de sustentação. Eu sei o que significa esperar por uma cirurgia e por uma notícia que pode transformar toda uma vida”, relata.
Excelência médica com olhar humanizado
A direção médica do projeto é conduzida pela cardiologista pediátrica Isabela Rangel, que reúne formação clínica e especialização em ecocardiografia.
Graduada pela Faculdade de Medicina de Teresópolis, com residência em Pediatria no Hospital da Polícia Militar e especialização reconhecida pelo CRM-RJ, ela também realizou formação complementar no Hospital Universitário Pedro Ernesto e participou de um programa de observership no departamento de cardiologia do Boston Children’s Hospital.
Atualmente, além de diretora médica do Pro Criança Cardíaca, atua como parecerista do Hospital Pediátrico Jutta Batista e cardiologista da Clínica Cardiológica Infantil.
“Quando falamos de cardiologia pediátrica social, falamos de excelência técnica com responsabilidade humana. Cada decisão médica carrega o peso de uma história inteira”, afirma.
Liderança feminina que transforma
Em um setor historicamente desafiador, o Pro Criança Cardíaca demonstra que liderança feminina vai além da representatividade. A instituição reúne governança, sustentabilidade financeira, excelência clínica e mobilização social, consolidando-se como uma das organizações mais relevantes do Terceiro Setor na área da saúde.
Ao se aproximar de seus 30 anos de atuação, celebrados ao longo de 2026, o projeto reforça que investir em mulheres na liderança também significa investir em transformação social e em acesso à saúde para milhares de crianças brasileiras.
