A busca por uma rotina ativa e saudável tem levado cada vez mais pessoas para as academias. No entanto, para quem convive com o lipedema, uma doença crônica que provoca acúmulo anormal de gordura, principalmente nas coxas, pernas e nos braços, atividades físicas intensas podem representar um grande desafio.
O lipedema é caracterizado pelo aumento desproporcional de gordura corporal no quadril, coxas e pernas e, em alguns casos, até nos braços. Acomete quase exclusivamente as mulheres, com dor na região da gordura, sensibilidade ao toque, inchaço nas pernas e facilidade para formação de equimoses e hematomas. Esses fatores fazem com que exercícios de alto impacto ou treinos muito pesados provoquem desconforto significativo em muitas pacientes.
De acordo com Herik Oliveira, cirurgião vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e especialista da Clínica Angioven, o problema vai além da questão estética: é preciso aumentar a força e o condicionamento físico, ajudar na mobilidade, reduzir a inflamação e controlar a dor.
“O lipedema provoca uma inflamação crônica no tecido subcutâneo, nas articulações, principalmente do quadril, joelhos e tornozelos, reduz o retorno venoso e linfático e leva à fadiga crônica, tornando o corpo mais sensível à dor. Mulheres com lipedema têm até 30% menos força nos músculos quadríceps das coxas. Por isso, atividades de alto impacto ou treinos muito intensos podem aumentar o desconforto, o acúmulo de ácido lático nos músculos por causa da dificuldade de drenagem linfática, a sensação de peso nas pernas e até favorecer o surgimento de hematomas”, explica o especialista.
Segundo o médico, muitas pacientes relatam frustração ao perceber que, mesmo com dedicação à atividade física, não conseguem os mesmos resultados em determinadas regiões do corpo. Isso acontece porque o lipedema não responde da mesma forma que a gordura comum a dietas e exercícios.
Apesar das limitações, o especialista destaca que o exercício físico continua sendo fundamental para a qualidade de vida, controle de peso, redução da inflamação e também pode ajudar no controle dos sintomas da doença. A recomendação é priorizar atividades que causem menos impacto nas articulações e no tecido afetado.
“Exercícios de baixo impacto, como caminhada, ioga, exercícios na água, hidroginástica, natação, caminhada na água, pilates, faixas elásticas e musculação com carga moderada costumam ser melhor tolerados, e sempre associar fisioterapia. O mais importante é que o treino seja orientado e acompanhado por educador físico, adaptado à realidade de cada paciente, respeitando os limites do corpo e evitando dor excessiva”, orienta.
O acompanhamento profissional também é considerado essencial para garantir segurança e melhores resultados no tratamento. O lipedema envolve uma abordagem multidisciplinar que inclui médicos angiologistas, endocrinologistas, nutrólogos, cirurgião plástico nos casos cirúrgicos, nutricionista, fisioterapeuta, educador físico e psicólogo.
“Quando o diagnóstico é feito corretamente, conseguimos orientar a paciente de forma mais adequada, reduzindo sintomas, melhorando a qualidade de vida e evitando frustrações relacionadas à prática de atividade física”, conclui Herik Oliveira.