Cegueira infantil pode ser evitada em até 90% dos casos
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Cegueira infantil pode ser evitada em até 90% dos casos

Abril marca a campanha Abril Marrom, dedicada à conscientização sobre a prevenção da cegueira. O alerta é direto: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,4 milhão de crianças vivem com cegueira no mundo e até 90% desses casos poderiam ser evitados.

Mais do que a doença em si, o principal problema está no tempo do diagnóstico. Para o oftalmologista Dr. Edison Geraissate, do CBV – Hospital de Olhos, a prevenção começa muito antes de qualquer sintoma.

“A melhor forma de prevenir a cegueira infantil é realizar o exame oftalmológico nos primeiros dias de vida. Não se trata de opção, é uma necessidade”, afirma.

Segundo o especialista, esperar sinais ou depender da percepção de pais e educadores pode comprometer o tratamento. “Quando um adulto percebe que há algo errado, ou quando a criança começa a se queixar, na maioria das vezes a doença já está instalada e em progressão. Já perdemos tempo precioso”, explica.

O médico destaca que o desenvolvimento da visão ocorre em uma fase extremamente sensível da infância. Qualquer atraso na identificação de alterações pode trazer consequências permanentes.

“O desenvolvimento visual ocorre em uma janela extremamente sensível. Se não houver diagnóstico e intervenção precoce, pode haver comprometimento permanente da visão e, em casos mais graves, do próprio desenvolvimento do olho. Existem situações em que não conseguimos mais recuperar o que foi perdido”, alerta.

Outro desafio é que muitas doenças oculares infantis evoluem de forma silenciosa, sem dor ou sinais evidentes. Mesmo quando aparecem sintomas, eles costumam indicar que o quadro já está em estágio avançado.

“Os chamados sinais de alerta, como olhos desalinhados, lacrimejamento persistente, sensibilidade à luz, dificuldade para focar ou movimentos oculares anormais, não devem ser aguardados. Eles mostram as consequências de doenças que já evoluíram”, reforça o especialista.

Embora crianças prematuras ou com histórico familiar tenham maior risco, o exame oftalmológico precoce deve ser realizado em todos os recém-nascidos.

Para o oftalmologista, a mudança de cenário depende de conscientização e ação antecipada. “Cegueira infantil evitável ainda acontece porque o diagnóstico chega tarde. E quando chega tarde, muitas vezes já não há mais o que fazer. Precisamos mudar esse cenário com ação precoce. O exame nos primeiros dias de vida é o ponto mais crítico de toda a prevenção”, conclui.

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