O uso da cirurgia robótica no Brasil tem avançado de forma significativa nos últimos anos, especialmente em áreas de alta complexidade, como os procedimentos de coluna. O crescimento acompanha a expansão da tecnologia no país e o aumento da busca por intervenções mais precisas e seguras.
Dados mostram que o número de sistemas de cirurgia robótica mais que dobrou no Brasil, passando de 51 unidades em 2018 para 111 atualmente. Durante a primeira década de utilização da tecnologia, foram realizadas cerca de 17 mil cirurgias. Já nos últimos cinco anos, com a ampliação do parque tecnológico, esse número saltou para aproximadamente 88 mil procedimentos, o que representa um aumento de 417%.
A primeira cirurgia robótica foi realizada no país há cerca de 15 anos e, o que antes era visto como uma evolução distante, hoje já começa a fazer parte da rotina de centros médicos mais estruturados. Ainda assim, o procedimento continua cercado por dúvidas.
Segundo o cirurgião de coluna Dr. Rodrigo Góes, do Hospital Albert Einstein, um dos principais equívocos é acreditar que o robô atua de forma autônoma.
“A cirurgia robótica não significa que um robô seja acionado e passe a executar os movimentos do cirurgião. No caso da coluna, o procedimento envolve um planejamento detalhado, baseado em exames de imagem, que orienta toda a execução”, explica.
No modelo atual, a cirurgia começa com a realização de uma tomografia computadorizada já com o paciente anestesiado. A partir dessas imagens e com base na experiência do cirurgião, é feita uma programação precisa do procedimento, incluindo o posicionamento exato dos implantes.
Após essa etapa, o sistema robótico entra como ferramenta de auxílio, utilizando um braço mecânico acoplado à mesa cirúrgica para direcionar os instrumentos com extrema precisão até os pontos definidos, como os pedículos vertebrais.
Outro avanço relevante é a integração com a realidade aumentada. Nesse modelo, o cirurgião utiliza óculos com visualização tridimensional que permitem enxergar simultaneamente o paciente e as imagens pré-operatórias, como a tomografia.
“Essa integração proporciona maior acurácia e segurança, pois permite visualizar em tempo real as estruturas ósseas e os pontos de referência necessários para a execução da técnica”, destaca o especialista.
Apesar dos avanços, a adoção da cirurgia robótica ainda enfrenta desafios importantes no Brasil. O principal deles é o custo, já que o sistema precisa ser adquirido pelas instituições hospitalares e sua utilização envolve despesas específicas por procedimento.
Além disso, é necessária uma infraestrutura adequada, com salas cirúrgicas amplas e equipes treinadas, para evitar aumento do tempo cirúrgico e, consequentemente, riscos como infecção e sangramento.
“Quando falamos da cirurgia robótica para a coluna, as aplicações são amplas, especialmente pela capacidade de mapeamento preciso da anatomia do paciente. No entanto, hoje a aplicação mais consolidada ainda está na inserção de parafusos pediculares”, explica Góes .
A tecnologia também pode ser associada a outras técnicas, como a endoscopia, permitindo a realização de descompressões em casos de estenose e hérnia de disco com auxílio da navegação guiada.
Para o especialista, a tendência é de expansão gradual do uso da robótica na medicina, acompanhando a evolução tecnológica e a capacitação dos centros de saúde.