Obesidade exige tratamento e não apenas dieta
Acervo pessoal
Obesidade exige tratamento e não apenas dieta

A decisão de mudar de carreira e iniciar a medicina aos 35 anos levou Ricardo Santana a uma área que hoje considera central na saúde pública: o tratamento da obesidade e dos distúrbios metabólicos.

Após uma trajetória profissional fora da medicina, o especialista passou a atuar diretamente com pacientes que enfrentam dificuldades para emagrecer, manter hábitos saudáveis e equilibrar o funcionamento do organismo.

Segundo ele , um dos principais desafios ainda está na forma como a obesidade é encarada.

“A obesidade é uma doença crônica, grave e multifatorial. Não é apenas uma questão estética. Ela envolve fatores hormonais, comportamentais e metabólicos e muitas vezes precisa de uma abordagem multidisciplinar”, explica.

Por que emagrecer não é simples

No consultório, o médico relata que muitos pacientes chegam com a sensação de que estão fazendo tudo certo, mas sem resultado.

Entre as queixas mais comuns estão cansaço, dificuldade para perder gordura, baixa libido, alterações no sono e dificuldade de manter uma rotina alimentar equilibrada.

“Nem sempre é falta de disciplina. Muitas vezes existem desequilíbrios hormonais e metabólicos que precisam ser investigados”, afirma.

Mitos ainda prejudicam o tratamento

A desinformação também é um dos fatores que dificultam o cuidado adequado.

Segundo o especialista, ainda é comum ouvir que creatina faz mal, que pessoas com obesidade devem focar apenas em exercícios aeróbicos ou que o uso de hormônios é sempre prejudicial.

“Isso atrasa o tratamento e gera medo em relação a estratégias que, quando bem indicadas, podem ajudar muito”, destaca.

Saúde vai além da alimentação

Para o Dr, Ricardo Santana, o emagrecimento eficaz está diretamente ligado a uma mudança de estilo de vida e não a soluções rápidas.

A prática regular de atividade física, especialmente exercícios de resistência como musculação, é um dos pilares do tratamento, assim como uma alimentação equilibrada, hidratação adequada e acompanhamento médico.

Outro ponto essencial, segundo ele, é a saúde mental.

“Muitos pacientes chegam com níveis elevados de estresse, ansiedade e sono desregulado. Isso impacta diretamente o metabolismo e dificulta qualquer processo de emagrecimento”, explica.

Avanços no tratamento

Entre os recursos atuais, o médico destaca o uso de medicações modernas, como os análogos de GLP-1, que têm apresentado resultados relevantes no controle do peso e na melhora de parâmetros metabólicos.

Apesar disso, ele reforça que o uso deve ser feito com acompanhamento profissional.

“São medicamentos eficazes, mas não são solução isolada. Precisam estar inseridos em um plano de tratamento completo”, afirma.

Informação como aliada

Para o especialista, o acesso à informação de qualidade ainda é determinante para o sucesso do tratamento.

“A população ainda está muito exposta a orientações sem base científica. Quando o paciente entende o processo, ele se torna mais consciente e engajado no próprio cuidado”, diz.

No fim, a principal mensagem é a de que emagrecimento não deve ser tratado como estética, mas como parte fundamental da saúde.

“Cuidar do corpo é cuidar da saúde como um todo. Quando conseguimos alinhar hábitos, hormônios e comportamento, o resultado vai muito além da balança”, conclui.

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