Leitura na infância é fator decisivo na formação de crianças
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Leitura na infância é fator decisivo na formação de crianças

Em um cenário em que apenas 52% da população acima de 5 anos é considerada leitora no Brasil, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, os dados mostram que aprender a ler ainda não significa, necessariamente, formar leitores.

O levantamento também indica uma queda no número de leitores ao longo dos anos, o que reforça um desafio estrutural na formação de crianças e adolescentes. Entre os mais jovens, a escola ainda aparece como principal espaço de incentivo ao contato com os livros, mas especialistas apontam que esse estímulo precisa começar antes e ir além do ambiente escolar.

O tema também aparece no novo Plano Nacional de Educação (PNE 2026-2036), que inclui metas específicas de letramento e prevê monitoramento periódico. A proposta estabelece, entre outros pontos, o avanço da alfabetização na idade adequada. Ainda assim, educadores destacam que o desenvolvimento do hábito de leitura envolve etapas mais amplas.

“A literatura é a tecnologia mais antiga de desenvolvimento humano que existe. Quando uma criança lê, ela não está apenas decodificando palavras, ela está aprendendo a imaginar, a questionar e a se colocar no lugar do outro”, afirma Marcelo Tavares, diretor-geral do Colégio Sigma.

Na prática, há uma diferença importante entre alfabetização e letramento literário. Enquanto a alfabetização está ligada à capacidade de ler e escrever, o letramento envolve interpretação, construção de repertório e relação crítica com o texto. É essa segunda dimensão que ainda aparece de forma desigual na formação dos estudantes.

Estudos na área de educação e desenvolvimento infantil mostram que o contato precoce com a leitura está associado a avanços na linguagem, na capacidade de concentração e no desempenho escolar. Crianças que crescem em ambientes com estímulo à leitura tendem a desenvolver vocabulário mais amplo e maior facilidade de compreensão textual.

Além do impacto acadêmico, o hábito de ler também influencia habilidades socioemocionais. A leitura contribui para o desenvolvimento da empatia, da criatividade e da capacidade de lidar com diferentes perspectivas.

“O contato com a literatura na primeira infância impacta diretamente o desenvolvimento acadêmico e emocional. É uma base que acompanha o aluno ao longo de toda a trajetória escolar”, conclui o diretor.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que o incentivo à leitura precisa ser contínuo e integrado à rotina. O acesso a livros, o exemplo dentro de casa e o estímulo ao interesse da criança são fatores que contribuem para a construção de uma relação mais consistente com a leitura ao longo da vida.

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