
O avanço da hipertensão no Brasil continua preocupando especialistas por causa da relação direta da doença com o aumento dos casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral). Dados do Vigitel 2025, levantamento anual do Ministério da Saúde, mostram que a prevalência da pressão alta passou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024, crescimento de 31% em menos de duas décadas. Atualmente, quase um terço da população adulta brasileira convive com a condição.
Considerada uma doença silenciosa, a hipertensão está entre os principais fatores de risco para o AVC, condição que ocorre quando um vaso sanguíneo do cérebro entope ou se rompe, comprometendo a circulação sanguínea e podendo provocar sequelas graves ou até levar à morte.
Segundo o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, a pressão alta provoca desgaste contínuo nos vasos sanguíneos e aumenta significativamente o risco de complicações cerebrais.
“Quando a hipertensão não é controlada, as artérias ficam mais vulneráveis tanto ao entupimento quanto ao rompimento. Isso favorece diretamente o desenvolvimento do AVC”, explica o médico.
O especialista destaca que muitas pessoas descobrem a hipertensão apenas após uma emergência de saúde.
“O grande problema é que a pressão alta pode evoluir durante anos sem sintomas aparentes. Em alguns casos, o AVC acaba sendo a primeira manifestação grave da doença”, alerta Victor Hugo Espíndola.
Entre os sinais mais comuns do AVC estão fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, perda de força nos braços, rosto torto, tontura intensa e alterações repentinas na visão. Para facilitar a identificação rápida da emergência, médicos orientam o uso da técnica SAMU:
- Sorriso: peça para a pessoa sorrir e observe se um lado do rosto fica torto
- Abraço: solicite que ela levante os dois braços e veja se há dificuldade para movimentar um deles
- Música: peça para repetir uma frase simples e perceba se a fala está enrolada ou confusa
- Urgente: ao identificar qualquer um desses sinais, o SAMU deve ser acionado imediatamente pelo telefone 192
Além do acompanhamento médico regular, hábitos saudáveis ajudam no controle da hipertensão e na prevenção do AVC, como reduzir o consumo de sal, praticar atividade física, evitar cigarro e moderar a ingestão de bebidas alcoólicas.
“O controle da pressão arterial é uma das medidas mais importantes para reduzir o risco de AVC. Diagnóstico precoce e acompanhamento regular fazem diferença direta na preservação da saúde cerebral”, conclui o neurocirurgião.
