
A gestão de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME) vem deixando de ocupar apenas um papel operacional dentro dos hospitais para se tornar uma das áreas mais estratégicas da saúde moderna.
Em um cenário marcado por alta complexidade cirúrgica, pressão financeira e necessidade crescente de eficiência assistencial, a rastreabilidade inteligente desses materiais passou a impactar diretamente segurança do paciente, sustentabilidade hospitalar e qualidade dos atendimentos.
Segundo especialistas do setor, falhas na organização e no controle de materiais cirúrgicos ainda estão entre os principais desafios enfrentados por hospitais brasileiros.
Problemas como desperdício, perda por vencimento, falhas logísticas e ausência de padronização geram impactos financeiros importantes e podem comprometer procedimentos de alta complexidade.
Para a especialista em gestão de OPME Nancy Azevedo de Souza, a mudança na forma como esses materiais são administrados representa uma transformação estrutural dentro da saúde.
“Quando não há processos bem definidos, o problema aparece onde não pode: dentro da sala de cirurgia. E ali, cada decisão impacta diretamente a vida do paciente”, afirma.
Antes de atuar na gestão estratégica, Nancy construiu sua trajetória profissional dentro do centro cirúrgico, trabalhando como instrumentadora em procedimentos de alta complexidade, especialmente nas áreas de neurocirurgia e ortopedia.
A vivência prática permitiu que ela identificasse dificuldades recorrentes relacionadas à organização e ao controle de materiais hospitalares críticos.
“Eu vivi a realidade hospitalar. Isso me permite tomar decisões administrativas com responsabilidade clínica e visão sistêmica”, destaca.
Com formação em Enfermagem, especialização em Instrumentação Cirúrgica e graduação em Administração, Nancy passou a desenvolver processos voltados à previsibilidade operacional, rastreabilidade e redução de riscos assistenciais.
Dentro desse cenário, a chamada rastreabilidade inteligente vem ganhando espaço como uma das principais ferramentas da gestão hospitalar moderna.
O modelo utiliza tecnologias como:
- códigos de barras
- controle por lote
- sistemas integrados de monitoramento
- gestão digital de estoque
- acompanhamento em tempo real de materiais cirúrgicos
Segundo Nancy Azevedo, a implementação desses processos permite ganhos importantes em diferentes áreas da operação hospitalar.
Entre os principais impactos observados estão:
- redução de desperdícios
- maior previsibilidade orçamentária
- controle logístico mais eficiente
- aumento da segurança assistencial
- conformidade com exigências regulatórias
“Quando existe organização e rastreabilidade, o hospital deixa de operar no improviso e passa a atuar com previsibilidade. Isso muda completamente o nível de segurança e eficiência”, explica.
Especialistas apontam que a integração entre tecnologia, logística e inteligência operacional deve se consolidar como uma das principais tendências da saúde nos próximos anos.
Hospitais e operadoras vêm utilizando cada vez mais análise de dados para antecipar demandas, otimizar estoques e melhorar processos internos.
Esse movimento impacta não apenas custos operacionais, mas também desempenho das equipes médicas, tempo de resposta cirúrgica e experiência do paciente.
“A gestão de OPME não pode mais ser tratada como uma etapa isolada. Ela precisa estar integrada a toda a estratégia hospitalar”, afirma Nancy.
Além da eficiência operacional, a especialista destaca que a organização desses materiais também influencia diretamente a sustentabilidade financeira do sistema de saúde, um dos temas mais debatidos atualmente no setor.
“Esses insumos fazem parte do tratamento. Quando são bem geridos, o impacto positivo se reflete em todo o sistema, do financeiro ao clínico”, pontua.
Com atuação consolidada no Brasil, Nancy Azevedo de Souza vem ganhando destaque justamente pela capacidade de unir experiência prática dentro do centro cirúrgico e visão estratégica de gestão hospitalar.
“Os desafios são semelhantes em qualquer lugar do mundo. O que muda é o nível de organização e a maturidade da gestão”, afirma.
Para Nancy, a transformação da gestão hospitalar representa também uma mudança de mentalidade dentro da própria saúde.
“Gestão em saúde não é apenas sobre números. É sobre responsabilidade com vidas”, conclui.
