Cada vez mais presentes nos gramados da Copa do Mundo, os coletes usados pelos jogadores por baixo da camisa deixaram de ser apenas um acessório e se tornaram uma importante ferramenta da medicina esportiva.
Equipados com GPS e sensores, os dispositivos permitem acompanhar, em tempo real, o desempenho físico dos atletas e auxiliam equipes médicas e comissões técnicas a tomar decisões mais precisas sobre treinamento, recuperação e prevenção de lesões.
Segundo o ortopedista Dr. Kaleu Nery, a tecnologia oferece uma visão detalhada de como o organismo responde ao esforço físico.
“Os coletes usados pelos atletas durante treinos e partidas são dispositivos de monitoramento que reúnem GPS e sensores capazes de medir o desempenho físico em tempo real. Eles registram informações como distância percorrida, velocidade, número de sprints, acelerações, desacelerações e frequência cardíaca. Esses dados ajudam a entender não apenas o que o atleta fez em campo, mas também como seu organismo respondeu ao esforço, permitindo um acompanhamento mais preciso da carga de treinamento”, explica.
Além de monitorar o desempenho, a ferramenta se tornou uma aliada importante na prevenção de lesões, um dos principais desafios do futebol profissional.
Ao identificar sinais de sobrecarga física antes do surgimento dos sintomas, a equipe médica consegue ajustar a rotina dos atletas e reduzir os riscos de afastamentos.
“Os sensores permitem identificar sinais de sobrecarga física antes que eles se transformem em lesões. Ao monitorar indicadores como volume de corrida, sprints, acelerações e fadiga, a equipe médica consegue ajustar treinos, aumentar períodos de recuperação e reduzir riscos de problemas musculares e articulares. Eles não preveem lesões, mas ajudam a reconhecer situações de maior risco”, afirma o especialista.
Entre as informações mais analisadas estão a distância total percorrida, a distância em alta velocidade, a velocidade máxima atingida, o número de sprints, as acelerações, as desacelerações, a frequência cardíaca, a carga física acumulada e a percepção subjetiva de esforço do atleta.
Nos últimos anos, o uso dessas tecnologias transformou a forma como atletas profissionais são acompanhados.
A análise de dados passou a complementar a avaliação clínica tradicional, tornando as decisões mais seguras e assertivas.
“O monitoramento por sensores tornou o treinamento mais individualizado e baseado em dados. Hoje, médicos e preparadores conseguem acompanhar a resposta de cada atleta ao esforço, controlar melhor a carga de trabalho e tomar decisões mais seguras no retorno após lesões. A tecnologia não substitui a avaliação clínica, mas oferece informações objetivas que tornam o processo mais preciso e eficiente”, destaca Dr. Kaleu Nery.
A tendência é que esses dispositivos sejam cada vez mais incorporados à rotina dos clubes e das seleções.
Além de contribuir para o desempenho dentro de campo, a tecnologia ajuda a preservar a saúde dos atletas e a prolongar suas carreiras, reduzindo os impactos do desgaste físico característico das competições de alto rendimento.