
A chegada da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), conhecida como Pneumo 20, ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) representa um dos avanços mais importantes dos últimos anos na proteção da saúde infantil.
A nova vacina amplia a cobertura contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por doenças potencialmente graves como pneumonia, meningite, sepse e otite média aguda.
Até então, o calendário vacinal infantil do Sistema Único de Saúde (SUS) contava com a Pneumo 10, que protege contra dez sorotipos da bactéria.
Com a incorporação da Pneumo 20, a cobertura passa a abranger um número maior de variantes, ampliando a proteção das crianças contra infecções que continuam sendo importantes causas de hospitalização na infância.
Segundo o médico pediatra Antonio Carlos Turner, coordenador da rede de clínicas Total Kids, a mudança representa um marco para a saúde pública brasileira.
“Essa ampliação na cobertura vacinal em mais 10 sorotipos da bactéria deve impactar diretamente na redução de internações e óbitos infantis”, afirma.
De acordo com o Ministério da Saúde, a implementação da nova vacina será feita de forma gradual para garantir uma transição segura entre os estoques já existentes e o novo esquema vacinal.
Durante esse período, os bebês seguirão um cronograma misto.
Aos dois meses de idade, a criança receberá a primeira dose da Pneumo 20.
Aos quatro meses, será aplicada a segunda dose com a Pneumo 10.
Já aos 12 meses ocorrerá o reforço com a Pneumo 20.
“Essa estratégia mista foi adotada pelo governo para garantir o aproveitamento dos estoques remanescentes da vacina antiga sem atrasar o início da proteção ampliada. À medida que o estoque da Pneumo 10 for zerado nas Unidades Básicas de Saúde, o PNI adotará o esquema exclusivo de duas doses e um reforço apenas com a Pneumo 20”, explica Antonio Carlos Turner.
A relevância da vacinação pneumocócica é reconhecida mundialmente.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), infecções causadas pelo pneumococo continuam entre as principais causas de adoecimento e mortalidade infantil em diversos países, especialmente em crianças menores de cinco anos.
Além da pneumonia, a bactéria pode provocar meningite bacteriana, infecções generalizadas e quadros que exigem internação hospitalar.
A vacinação é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir complicações e mortes associadas a essas doenças.
Neste primeiro momento, a aplicação da vacina pelo SUS para pessoas acima de 60 anos não será universal.
Atualmente, o acesso pela rede pública está restrito a idosos acamados ou institucionalizados, além de pacientes com condições específicas atendidos pelos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
A recomendação da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), porém, é mais ampla.
A entidade orienta a vacinação rotineira com Pneumo 20 para todos os adultos a partir dos 60 anos e também para grupos de risco a partir dos 50 anos.
Sem a oferta universal pelo SUS para essa faixa etária, a alternativa para muitos pacientes continua sendo a vacinação na rede privada.
Para Antonio Carlos Turner, a chegada da Pneumo 20 representa um passo importante na prevenção de doenças potencialmente graves e reforça a importância da vacinação como uma das principais estratégias de proteção à saúde.
“A vacinação continua sendo uma das ferramentas mais eficazes da medicina preventiva. Quanto maior a cobertura vacinal, maior a proteção individual e coletiva contra doenças que podem causar complicações graves, especialmente na infância”, conclui.
