
Contratar um profissional é uma das decisões mais importantes dentro de qualquer empresa.
No entanto, segundo especialistas em gestão de pessoas, um dos maiores erros cometidos por empresários não está necessariamente na escolha do candidato, mas na forma como o próprio processo seletivo é conduzido.
Para a neurocientista e PhD em Administração de Negócios, Dra. Érica Belon, muitas organizações ainda delegam decisões estratégicas de recrutamento a profissionais sem preparo adequado para identificar competências, potencial de desenvolvimento e alinhamento comportamental dos candidatos.
“O maior erro não é contratar alguém sem experiência. É entregar decisões importantes para quem não sabe reconhecer competência. Recrutadores despreparados não atraem alta performance. Eles filtram mal, escolhem mal e, muitas vezes, afastam justamente quem poderia elevar o nível da empresa”, afirma.
Um levantamento da consultoria global Gallup aponta que equipes com profissionais adequadamente selecionados e engajados apresentam níveis mais elevados de produtividade, menor rotatividade e melhores resultados financeiros.
Segundo a Dra. Érica Belon, o problema começa quando a contratação é tratada apenas como uma etapa operacional.
“Contratar bem exige método, leitura comportamental e visão estratégica. Não se trata apenas de preencher uma vaga, mas de compreender quais competências aquela função exige e qual perfil realmente contribuirá para os objetivos da organização”, explica.
A especialista, reconhecida por seu trabalho em neurogestão e desenvolvimento de lideranças, defende que empresas precisam abandonar decisões baseadas exclusivamente em currículos ou impressões superficiais durante entrevistas.
Em sua atuação com executivos e equipes de alta performance, ela utiliza conceitos de neurociência aplicada para auxiliar líderes a compreenderem aspectos comportamentais que influenciam diretamente o desempenho profissional.
Dados da Society for Human Resource Management (SHRM) indicam que uma contratação equivocada pode gerar custos elevados para as empresas, incluindo gastos com desligamentos, novos processos seletivos, treinamento e perda de produtividade.
Além do impacto financeiro, escolhas inadequadas também afetam o clima organizacional e a motivação das equipes.
Na avaliação de Érica Belon, um dos erros mais comuns é focar apenas nas competências técnicas.
“Muitas vezes o candidato possui excelente formação, experiência sólida e conhecimento técnico, mas não apresenta compatibilidade com a cultura da empresa. Quando isso acontece, surgem conflitos, dificuldades de adaptação e queda de desempenho”, afirma.
A discussão também acompanha uma transformação no próprio mercado de trabalho.
Com mudanças aceleradas, avanços tecnológicos e novas demandas profissionais, características como inteligência emocional, capacidade de aprendizado, adaptabilidade e habilidade de trabalhar em equipe passaram a ter peso cada vez maior nos processos seletivos.
Esses aspectos fazem parte dos estudos desenvolvidos pela especialista ao longo de sua trajetória acadêmica e profissional.
Autora dos livros 8 Pilares da Liderança de Cristo e O PDI de Cristo, Dra. Érica Belon defende que líderes precisam desenvolver critérios objetivos para identificar talentos, estruturar equipes e construir ambientes de alta performance.
Suas metodologias unem princípios de gestão, desenvolvimento humano e neurociência aplicada à liderança.
Outro desafio apontado pela especialista está relacionado ao crescimento do consumo de informações sobre carreira e gestão nas redes sociais.
Segundo ela, o acesso ao conteúdo pode ser positivo, mas também exige senso crítico.
“As empresas precisam tomar decisões baseadas em método e evidências, não apenas em tendências ou opiniões que circulam na internet. O recrutamento estratégico exige análise profunda e conhecimento técnico”, observa.
A preocupação faz sentido diante do comportamento atual dos brasileiros.
Estudos mostram que uma parcela crescente da população utiliza conteúdos digitais como fonte de informação para decisões profissionais e corporativas.
Nesse cenário, a qualidade das orientações recebidas torna-se cada vez mais relevante.
Para a Dra. Érica Belon, o futuro da gestão de pessoas passa por uma mudança de mentalidade.
Em vez de enxergar o recrutamento apenas como uma atividade administrativa, as empresas precisam compreendê-lo como uma ferramenta estratégica de crescimento.
“Grandes resultados começam pelas pessoas certas. Quando a contratação é conduzida com método, ciência e visão de longo prazo, a empresa reduz erros, fortalece sua cultura e cria equipes capazes de sustentar resultados consistentes”, conclui.
