
Dengue, malária, doença de Chagas, leishmaniose, febre amarela, esquistossomose e hanseníase continuam impondo desafios à saúde pública, mesmo diante dos avanços registrados em prevenção, diagnóstico e tratamento. Mudanças climáticas, crescimento urbano desordenado, desigualdades sociais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde tornam esse cenário ainda mais complexo.
É nesse contexto que pesquisadores, profissionais da saúde, gestores e representantes da sociedade civil se reúnem, entre os dias 16 e 19 de agosto, em Brasília, para a 61ª edição do Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, o Medtrop 2026.
Presidente do congresso, o infectologista Dr. Gustavo Romero defende que a discussão sobre essas doenças considere também a realidade dos países onde elas exercem maior impacto.
“O Medtrop 2026 chega em um momento em que o mundo precisa, mais do que nunca, ouvir as vozes do Sul Global. As doenças infecciosas e parasitárias que assolam as regiões tropicais ainda são tratadas como problemas periféricos na agenda global de saúde. Este congresso é uma oportunidade de mudar essa narrativa, colocando no centro do debate quem de fato constrói soluções para essas populações."
Mudanças climáticas aumentam preocupação
A relação entre ambiente e saúde ganhou ainda mais relevância nos últimos anos. Alterações de temperatura e precipitação, mudanças na ocupação dos territórios e condições inadequadas de infraestrutura podem interferir na dinâmica de transmissão de diferentes doenças.
No caso das enfermidades transmitidas por vetores, o desafio envolve desde medidas de prevenção até vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento.
Ao mesmo tempo, doenças historicamente associadas a determinadas regiões precisam ser analisadas diante das transformações ambientais e sociais que modificam a exposição das populações.
O tema central do Medtrop 2026, “Saúde nos trópicos: uma visão integradora sob a perspectiva do Sul Global”, parte justamente da proposta de discutir soluções considerando as particularidades dos países tropicais.
Países do Sul Global buscam respostas em conjunto
Outro ponto da discussão é a chamada cooperação Sul-Sul, baseada na troca de conhecimento, tecnologia e experiências entre países em desenvolvimento.
A proposta é valorizar soluções desenvolvidas nos próprios territórios afetados pelas doenças e aproximar a pesquisa científica da experiência de profissionais e gestores que lidam diretamente com esses problemas.
“Realizar um congresso sob essa ótica é um desafio e uma responsabilidade. Queremos que o conhecimento gerado aqui parta de um ponto de observação genuinamente tropical, que reconheça as contradições do nosso contexto e que produza respostas à altura dos desafios que enfrentamos. Isso inclui tanto a ciência de ponta quanto o conhecimento gerado por gestores e trabalhadores de saúde no campo da ciência de implementação", destaca o Dr. Gustavo Romero.
A discussão ganha importância porque o enfrentamento das doenças tropicais não depende exclusivamente da descoberta de novos medicamentos ou tecnologias. Estratégias de prevenção precisam chegar às populações, diagnósticos devem ser realizados em tempo adequado e tratamentos precisam estar disponíveis onde a transmissão acontece.
Da pesquisa científica à realidade do SUS
Um dos desafios está justamente em transformar conhecimento científico em ações capazes de produzir resultados na rotina dos serviços de saúde.
Durante quatro dias, pesquisadores e profissionais discutirão prevenção e controle de doenças infecciosas e parasitárias, novas tecnologias, vigilância epidemiológica, diagnóstico, tratamento e aplicação das evidências científicas em cenários reais de transmissão.
Para Gustavo Romero, aproximar diferentes setores é necessário para construir respostas que possam ser incorporadas às políticas públicas.
“O Medtrop não é apenas um congresso científico. É um espaço de construção coletiva de soluções para o aprimoramento das políticas de prevenção e cuidado. Recebemos com muita alegria a comunidade científica, mas também gestores, trabalhadores de saúde e a sociedade civil, porque entendemos que as respostas para os grandes desafios da saúde tropical precisam ser construídas com todos esses atores juntos, no marco de um sistema de saúde público, universal e gratuito: o SUS”.
Brasília recebe especialistas em doenças tropicais
O Medtrop 2026 será realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, entre os dias 16 e 19 de agosto.
A programação reúne pesquisadores, profissionais de saúde, estudantes e gestores em discussões sobre doenças tropicais, infecciosas e negligenciadas, além de temas relacionados à inovação e à vigilância epidemiológica.
Mais do que discutir enfermidades individualmente, o encontro coloca em pauta um desafio que permanece atual: como transformar avanços científicos em prevenção, diagnóstico e tratamento acessíveis justamente às populações mais expostas às doenças tropicais.
Serviço
61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical – Medtrop 2026
Data: 16 a 19 de agosto de 2026
Local: Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Brasília (DF)
Programação e inscrições do Medtrop 2026
