
Visão embaçada, maior sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar à distância e a impressão de que as cores perderam a intensidade podem ser sinais de catarata.
Considerada a principal causa de cegueira reversível no Brasil, a doença ganha atenção durante o Agosto Cinza, campanha dedicada à conscientização sobre a importância do diagnóstico e do tratamento para preservar a visão e a qualidade de vida.
Pesquisas epidemiológicas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que a catarata afeta cerca de 14 milhões de brasileiros.
A Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) estima ainda que aproximadamente 550 mil novos casos sejam diagnosticados anualmente no país.
A doença ocorre quando o cristalino, lente natural dos olhos responsável por focalizar as imagens, perde progressivamente sua transparência.
Conforme a opacificação avança, enxergar pode se tornar semelhante a olhar através de um vidro fosco.
Além da visão embaçada, outros sinais merecem atenção.
Dificuldade para enxergar à distância, sensibilidade à luz, alterações na percepção das cores e necessidade frequente de trocar os óculos estão entre os sintomas mais comuns.
Catarata não acontece somente pela idade
O envelhecimento é o principal fator de risco e explica por que a catarata aparece com maior frequência entre idosos.
Isso, porém, não significa que toda alteração visual depois dos 60 anos deva ser considerada normal ou simplesmente aceita.
Segundo o oftalmologista Dr. Antônio Sardinha, do Hospital de Olhos de Cuiabá (HOC), procurar avaliação antes que exista um comprometimento importante da visão pode fazer diferença.
“A catarata é uma condição muito comum, principalmente após os 60 anos, mas hoje contamos com diagnóstico preciso e tratamento seguro. O mais importante é que o paciente não espere a perda importante da visão para procurar avaliação oftalmológica”, afirma.
A idade também não é o único fator associado ao desenvolvimento da doença.
Diabetes, uso prolongado de corticoides, traumas oculares e exposição excessiva à radiação ultravioleta podem aumentar o risco.
Por isso, mudanças na capacidade de enxergar precisam ser investigadas independentemente da idade, principalmente quando começam a interferir em atividades rotineiras.
Quando a catarata começa a interferir na rotina
A perda progressiva da visão pode afetar tarefas que antes pareciam simples.
A redução da autonomia é justamente um dos motivos pelos quais o acompanhamento oftalmológico ganha importância.
A indicação do tratamento considera a realidade de cada paciente e o impacto da catarata em sua qualidade de vida.
“Cada paciente deve ser analisado de forma individual. A indicação do tratamento não depende apenas da presença da catarata, mas principalmente do impacto que ela causa nas atividades do dia a dia e na qualidade de vida”, explica Sardinha.
Como funciona a cirurgia
Quando indicada, a cirurgia consiste na retirada do cristalino que perdeu a transparência e na implantação de uma lente intraocular.
Segundo o especialista, os avanços ocorridos na área tornaram o procedimento mais rápido e permitiram uma recuperação visual em um período menor.
Em muitos casos, a cirurgia dura poucos minutos e o paciente já percebe melhora nos primeiros dias após a operação.
“A cirurgia de catarata evoluiu muito nos últimos anos. Atualmente utilizamos técnicas modernas, com anestesia local e rápida recuperação. Trata-se de um procedimento seguro, que permite restaurar a visão comprometida pela opacificação do cristalino e devolver autonomia ao paciente”, ressalta.
A possibilidade de recuperar a visão é um dos principais pontos abordados durante o Agosto Cinza.
Por ser uma causa de cegueira reversível, identificar a catarata e acompanhar sua evolução permite definir o momento adequado para realizar o tratamento.
O alerta ganha ainda mais importância a partir dos 50 anos, quando consultas oftalmológicas regulares ajudam a identificar alterações visuais que podem surgir de maneira gradual e, inicialmente, serem confundidas com mudanças naturais provocadas pelo envelhecimento.
O Agosto Cinza reforça, portanto, uma orientação que vale para todo o ano: alterações na visão não devem ser ignoradas.
O acompanhamento periódico permite identificar a catarata em suas fases iniciais, avaliar sua evolução e estabelecer, de maneira individualizada, quando o tratamento passa a ser necessário.
