Psiquiatra Adiel Rios
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Psiquiatra Adiel Rios

Sexo faz parte da vida e assistir a conteúdos pornográficos não significa, por si só, que uma pessoa tenha um transtorno.

O problema começa a ganhar outra dimensão quando existe dificuldade para controlar impulsos, tentativas frustradas de diminuir o comportamento e prejuízos que começam a aparecer nos relacionamentos, no trabalho, nos estudos ou em outras áreas da rotina.

A discussão tem relevância também para a saúde mental.

A Classificação Internacional de Doenças, a CID-11, reconhece o transtorno do comportamento sexual compulsivo e o enquadra entre os transtornos do controle de impulsos.

O diagnóstico está relacionado a um padrão persistente de dificuldade em controlar impulsos ou desejos sexuais intensos e repetitivos, que acabam resultando em comportamentos recorrentes e prejuízos significativos.

Um estudo publicado em 2025 na revista científica Sexual Health ajuda a dimensionar outra parte dessa discussão.

A meta-análise reuniu 22 estudos, com 31.566 participantes, e encontrou uma prevalência combinada de 13% de uso problemático de pornografia.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que houve grande variação entre os trabalhos analisados, influenciada por fatores como região, população estudada e instrumento utilizado para identificar o problema.

Isso significa que o número não deve ser interpretado como se 13% da população tivesse um diagnóstico de “vício em pornografia”.

O próprio estudo destaca que o uso problemático de pornografia não possui critérios diagnósticos oficiais como uma condição independente e pode estar inserido no contexto do comportamento sexual compulsivo.

Para o Dr. Adiel Rios, fundador do Grupo Nutrindo Emoções by Adiel Rios, médico psiquiatra, mestre em Psiquiatria, doutorando e membro titular da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), um dos pontos centrais é observar a relação que a pessoa desenvolveu com aquele comportamento, em vez de olhar somente para sua frequência.

Uma pessoa pode ter desejo sexual elevado ou consumir pornografia sem apresentar perda de controle.

O alerta surge quando aquilo passa a ocupar um espaço desproporcional na rotina.

Entre os comportamentos que podem chamar atenção estão deixar compromissos de lado, comprometer horas de sono, prejudicar relações afetivas, utilizar pornografia repetidamente mesmo querendo parar ou perceber que grande parte do dia passou a ser organizada em função da busca por estímulos sexuais.

A culpa também precisa ser analisada com cuidado. Sentir vergonha por assistir a pornografia ou entrar em conflito com valores pessoais não é suficiente para caracterizar um transtorno.

A avaliação clínica considera a dificuldade persistente de controle e os prejuízos provocados pelo comportamento, evitando transformar questões morais relacionadas à sexualidade em diagnóstico psiquiátrico.

Outro ponto importante é entender o que acompanha essa mudança. Um aumento acentuado e fora do padrão do interesse ou da atividade sexual, por exemplo, pode precisar ser investigado dentro de outros quadros psiquiátricos.

Por isso, a avaliação não deve se limitar à pergunta sobre quantas vezes alguém faz sexo, se masturba ou acessa pornografia.

O tratamento também não tem como objetivo eliminar o desejo sexual. Uma meta-análise publicada em 2025 sobre psicoterapia para uso problemático de pornografia encontrou evidências de melhora com intervenções psicoterapêuticas, embora os pesquisadores também apontem limitações na qualidade e quantidade das evidências disponíveis.

De acordo com o psiquiatra, na prática clínica, cada paciente precisa ser avaliado individualmente para identificar o padrão de comportamento, possíveis gatilhos, consequências e condições psiquiátricas associadas.

Quando a pessoa percebe que já não consegue escolher quando parar e continua repetindo o comportamento apesar dos problemas que ele provoca, procurar ajuda especializada pode ser o primeiro passo para recuperar o controle sobre a própria vida sexual.

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