
Durante muito tempo, falar em whey protein era praticamente falar em academia.
O suplemento era associado a quem queria ganhar músculos, melhorar a performance ou mantinha uma rotina intensa de treinos.
Hoje, porém, o produto passou a ocupar também a alimentação de pessoas que buscam praticidade para aumentar o consumo de proteínas, mesmo sem frequentar uma academia.
O interesse pelo nutriente alcança diferentes faixas etárias, incluindo o público 50+, em meio às discussões sobre alimentação, manutenção da massa muscular e envelhecimento saudável.
Globalmente, os lançamentos de produtos com menção a “alto em proteína” vêm crescendo cinco vezes mais rapidamente do que as linhas regulares.
Ao mesmo tempo em que a demanda aumenta, a oferta de proteínas lácteas, especialmente do whey, enfrenta um cenário de pressão global.
O avanço dos medicamentos para controle de peso da classe dos GLP-1 também acrescentou uma nova variável à discussão sobre consumo de proteínas.
Para Aline Goettert, diretora executiva e nutricionista da Associação Brasileira de Suplementos Alimentares (Brasnutri), entidade que reúne mais de 80 marcas do setor, o movimento representa uma transformação na maneira como a suplementação proteica é pensada.
“O futuro da suplementação proteica não necessariamente será ‘whey versus proteína vegetal’, mas a combinação inteligente de diferentes fontes, escolhidas de acordo com objetivo, perfil de aminoácidos, digestibilidade, custo e aplicação”, comenta.
Mas o whey é realmente indispensável? Proteína vegetal é inferior? É preciso escolher apenas uma fonte? A especialista esclarece cinco mitos que ainda cercam o consumo de proteínas.
1. “Whey é a única proteína capaz de promover ganho de massa muscular”
Esse é um dos principais mitos relacionados ao suplemento.
O whey é uma proteína de alta qualidade e tem papel importante na nutrição esportiva, mas não é a única fonte disponível quando o objetivo é atingir as necessidades proteicas e favorecer o ganho de massa muscular.
2. “Proteína vegetal é necessariamente inferior”
A qualidade de uma proteína não deve ser determinada apenas por sua origem, mas também pelo perfil de aminoácidos, digestibilidade e capacidade de fornecer aminoácidos essenciais em quantidades adequadas.
Além do whey, existem fontes como ervilha, arroz e fava.
A combinação de diferentes proteínas vegetais também pode complementar seus perfis de aminoácidos.
Por isso, a discussão sobre qualidade proteica vai além da divisão entre proteínas animais e vegetais.
3. “É preciso escolher entre whey ou proteína vegetal”
A combinação de diferentes proteínas pode ser uma estratégia nutricional.
Whey, soja e caseína, por exemplo, apresentam diferentes velocidades de digestão: o whey possui absorção mais rápida, a soja ocupa uma posição intermediária e a caseína apresenta digestão mais lenta.
A associação entre diferentes fontes pode proporcionar a oferta de aminoácidos ao organismo por períodos distintos.
Esse movimento também tem impulsionado o desenvolvimento de blends proteicos de múltiplas origens.
Proteínas de colágeno podem aparecer de forma complementar em produtos destinados a necessidades específicas, embora tenham características nutricionais diferentes das proteínas tradicionalmente utilizadas para ganho de massa muscular.
4. “O crescimento do whey é apenas uma moda”
O interesse por proteína já alcança diferentes faixas etárias e perfis de consumidores.
O avanço dos medicamentos GLP-1 também acrescentou uma nova dimensão à discussão sobre alimentação e preservação da massa muscular durante processos de perda de peso.
A proteína passou a aparecer em conversas relacionadas à nutrição, envelhecimento saudável, performance, praticidade e composição corporal, e não somente à musculação.
Essa mudança ajuda a explicar a presença crescente de produtos com maior quantidade de proteínas nas prateleiras e na rotina alimentar dos consumidores.
5. “Se o whey está escasso, basta produzir mais”
A questão envolve a própria cadeia produtiva.
O whey é derivado do leite e, por isso, sua disponibilidade está relacionada à oferta de matéria-prima láctea e às condições de produção.
Nesse contexto, a indústria tem buscado diversificar as fontes utilizadas.
Proteínas de soja, ervilha, arroz, fava e outras opções vegetais entram não apenas como alternativas para vegetarianos e veganos, mas também como ingredientes para diferentes formulações.
A combinação permite trabalhar fatores como velocidade de digestão, perfil de aminoácidos, concentração proteica, custo e aplicação dentro de um mesmo produto.
A próxima fronteira da proteína
O whey continua sendo uma das principais referências quando o assunto é suplementação proteica, mas o crescimento da demanda tem estimulado o desenvolvimento de outras soluções.

Para Aline, a tendência não é necessariamente uma disputa para descobrir qual fonte substituirá o whey, mas uma ampliação das possibilidades disponíveis para diferentes perfis de consumidores.
“O mercado vive uma transformação na forma como pensamos proteína. A pergunta deixa de ser ‘qual proteína vai substituir o whey?’ e passa a ser ‘qual combinação de proteínas entrega a melhor solução para cada consumidor e cada necessidade?’. É nesse ponto que a próxima geração da suplementação começa a ser construída”, conclui.
