
A convivência entre pessoas que vivem na mesma casa pode influenciar mais do que apenas a rotina diária.
O ambiente compartilhado, os hábitos alimentares e o estilo de vida semelhante podem refletir até na composição das bactérias do intestino, conhecidas como microbiota intestinal.
O coloproctologista Danilo Munhóz afirma que essa relação existe, mas não se trata de transmissão direta entre indivíduos.
“A nossa microbiota intestinal não é formada de maneira isolada. Ela sofre influência da alimentação, do uso de medicamentos, da idade, dos hábitos de vida e também das pessoas com quem convivemos. Isso acontece porque a convivência diária cria inúmeras oportunidades de interação entre os nossos microrganismos. Existe o contato físico, o compartilhamento do mesmo ambiente e, muitas vezes, de hábitos alimentares e rotinas muito semelhantes”, explica.
“É importante entender que isso não significa simplesmente que uma pessoa está ‘passando bactérias intestinais’ diretamente para a outra. Parte dessa semelhança pode ocorrer pela exposição aos mesmos ambientes e comportamentos, e parte envolve características compartilhadas de determinadas cepas bacterianas. Na prática, isso mostra que o intestino é um ecossistema extremamente dinâmico e conectado à forma como vivemos e às nossas relações sociais”, afirma.
O especialista destaca que, apesar das evidências de influência, não é possível fazer conclusões simplistas sobre impactos diretos na saúde.
“Não podemos afirmar que morar com uma pessoa que tem uma microbiota considerada saudável vai automaticamente melhorar o seu intestino, nem que doenças intestinais serão transmitidas pela convivência. A microbiota é extremamente individual e o efeito de cada bactéria depende de um conjunto muito mais amplo de fatores”, completa.
Segundo ele, o que mais pesa na prática é o conjunto de hábitos compartilhados dentro de casa.
“Pessoas da mesma casa frequentemente compartilham não apenas o ambiente, mas padrões de alimentação, sedentarismo, horários, uso de determinados alimentos e outros comportamentos que podem favorecer ou prejudicar a saúde intestinal de toda a família. Por isso, hábitos como aumentar o consumo de fibras, variar os alimentos de origem vegetal, manter boa hidratação, praticar atividade física e evitar o uso indiscriminado de antibióticos podem ter um impacto que ultrapassa o indivíduo. De certa forma, quando uma casa adota uma rotina mais saudável, cria-se também um ambiente mais favorável à saúde intestinal de todos que vivem ali”, completa.
