Acordar durante a madrugada por causa de dor no ombro ou perceber que o desconforto aumenta ao se deitar não é considerado normal.
O sintoma pode estar relacionado a diferentes doenças ortopédicas e merece atenção, principalmente quando persiste por semanas, interfere no sono ou limita os movimentos do braço.
Segundo o ortopedista Dr. Kaleu Nery, a piora da dor durante a noite é uma queixa frequente entre os pacientes.
“A piora da dor no período noturno é uma queixa muito frequente no consultório e pode acontecer por diferentes motivos. Quando nos deitamos, há mudanças na circulação local e na posição das estruturas do ombro, o que pode aumentar a pressão sobre tendões e bursas inflamadas. Além disso, durante o dia estamos em constante movimento, enquanto à noite o organismo percebe com mais intensidade os estímulos dolorosos.”
Entre as principais causas estão lesões do manguito rotador, bursite, tendinites, síndrome do impacto, capsulite adesiva, conhecida como ombro congelado, e artrose do ombro.
Em alguns casos, alterações na coluna cervical também podem irradiar dor para a região.
O especialista ressalta que nem toda dor no ombro significa uma lesão do tendão.
“Por isso, é importante lembrar que nem toda dor no ombro significa uma lesão do tendão. O diagnóstico depende da correlação entre história clínica, exame físico e exames de imagem.”
Quando a dor persiste por semanas, desperta o paciente frequentemente durante a madrugada, causa perda de força ou dificulta movimentos simples, como elevar o braço, a investigação médica torna-se indispensável.
“Se a dor persiste por semanas, desperta o paciente frequentemente durante a madrugada, limita movimentos simples do dia a dia ou vem acompanhada de perda de força, dificuldade para elevar o braço ou rigidez importante, ela merece investigação. Quanto mais precoce for a avaliação, maiores são as chances de controlar o problema com tratamentos menos invasivos.”
Apesar da intensidade do sintoma, a cirurgia nem sempre é necessária.
“A intensidade da dor não determina, sozinha, a necessidade de cirurgia. Existem muitos pacientes com dor intensa que evoluem muito bem com tratamento conservador, incluindo fisioterapia, medicações, ajustes de atividade e, em casos selecionados, infiltrações. A cirurgia é indicada apenas quando realmente existe uma indicação clínica bem estabelecida.”
O especialista recomenda evitar a automedicação prolongada e procurar avaliação com um ortopedista especialista em ombro ao perceber que a dor se tornou frequente ou persistente.
Segundo ele, o exame físico continua sendo uma das etapas mais importantes do diagnóstico.
A ressonância magnética é uma ferramenta complementar, mas não substitui a avaliação clínica.