O uso frequente de laxantes pode trazer riscos à saúde e, em alguns casos, mascarar a causa de uma prisão de ventre persistente. O consumo por conta própria e sem acompanhamento pode provocar efeitos como cólicas, diarreia, desidratação e alterações nos níveis de sais minerais do organismo.
Segundo a coloproctologista Dra. Aline Amaro , existem diferentes tipos de laxantes e os riscos variam de acordo com o medicamento e a forma como ele é utilizado. “O risco não está simplesmente em tomar um laxante, porque existem laxantes que podem ser utilizados com segurança, inclusive por períodos prolongados, quando bem indicados. O problema é transformar a automedicação em rotina e deixar de investigar uma prisão de ventre persistente”, explica.
A especialista destaca que também não é correto afirmar que todo uso contínuo de laxante deixa o intestino “preguiçoso” ou dependente. “Os laxantes osmóticos, especialmente os à base de polietilenoglicol, são recomendados como tratamento de primeira linha para constipação crônica e existem dados demonstrando eficácia e segurança mesmo com uso prolongado. Existem pacientes que realmente necessitam de tratamento contínuo, e isso não significa necessariamente que o intestino esteja sendo prejudicado ou deixando de funcionar sozinho”, afirma.
Alerta
Já os laxantes estimulantes, como bisacodil, picossulfato de sódio e sene, exigem mais cautela quando usados com frequência e sem acompanhamento. “Quando a pessoa percebe que só consegue evacuar aumentando progressivamente as doses ou que não consegue mais ficar sem o medicamento, isso deve ser encarado como um sinal para procurar avaliação médica, e não simplesmente como motivo para aumentar ainda mais o laxante”, alerta.
A médica também recomenda atenção aos hábitos intestinais, com ingestão adequada de fibras e água, atividade física regular, além de evitar adiar a vontade de evacuar e reservar um momento tranquilo para ir ao banheiro. “Tratar constipação adequadamente não significa apenas fazer o intestino funcionar naquele dia, mas entender por que ele não está funcionando bem e escolher uma estratégia que possa ser mantida com segurança”, ressalta.
De acordo com a médica, sangramento nas fezes, perda de peso sem explicação, dor abdominal persistente, vômitos, incapacidade de eliminar gases ou mudança recente e progressiva do hábito intestinal são sinais que merecem avaliação médica.